Quinta-Feira , 02 de Julho de 2009 às 21:21h
Poema à boca fechada
José Saramago
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
escrever comentário | sem comentários
Quinta-Feira , 02 de Julho de 2009 às 19:17h
Por Agnaldo Almeida
A assessoria do PRP divulgou a seguinte nota:
“O PRP só irá definir qual coligação majoritária vai apoiar nas eleições do próximo ano apenas em 2010. Essa foi a principal deliberação da reunião de ontem (02), com a diretoria executiva regional do partido, além dos vereadores Evandro Sérgio e Felipe Leitão. Segundo Sérgio o partido só vai fechar questão sobre o assunto mesmo em 2010. Há várias pré-candidaturas e nós vamos avaliar qual delas vai mais interessar aos projetos do partido, por isso só definiremos nosso apoio ano que vem, destacou o parlamentar que é da base de apoio ao prefeito Ricardo Coutinho, mas que não esconde sua insatisfação pela falta de atenção da atual gestão municipal”.
COMENTÁRIO MEU: Perguntar não ofende: E essa definição vai ser antes ou depois do dia 3 de outubro do ano que vem? Partido que não quer correr riscos, só deve se posicionar depois das eleições. E para ser mais seguro ainda, por que não esperar a diplomação dos eventuais eleitos? Afinal, campanhas eleitorais na Paraíba costumam ter terceiro turno.
escrever comentário | sem comentários
Quinta-Feira , 02 de Julho de 2009 às 18:16h
Por Agnaldo Allmeida
1 - A sede de um partido político foi arrombada em João Pessoa.
2 - O prefeito da Capital tem seus passos monitorados por misteriorsas câmeras de vídeo, que seguem diariamente os seus passos.
3 - Alguns deputados estão com seus telefones grampeados.
Conclusão óbvia: a atividade política na Paraíba cada vez mais se transforma num caso de polícia. O problema agora é saber se a Polícia vai saber separar o seu trabalho das suas vinculações políticas. Só quem pode responder esta pergunta é o secretário Gominho.
escrever comentário | sem comentários
Quinta-Feira , 02 de Julho de 2009 às 16:38h
Por Agnaldo Almeida
Peço licença ao cronista e amigo Luiz Ferreira - e por extensão ao jornal em que assina coluna, o Jornal da Paraíba - para transcrever abaixo no blog uma das mais belas crônicas, que por aqui já se escreveu nos últimos tempos.
Quem me alertou sobre o seu "fascínio" foi Martinho Moreira Franco, que não só lê bem e lê tudo, como lê melhor do que todos nós. Eis a crônica:
FASCÍNIO DA NOITE
Por Luiz Ferreira
Ela o tem e muito. Para mim e para outros que, por um tipo particular de sensibilidade, conseguem ouvir nas madrugadas sons especiais que o dia esconde em meio a milhares de outros.
A noite chega tímida, sem cor definida, num lusco-fusco. Ainda não é noite, mas já deixou de ser dia. É um momento belo, indefinível, desses que não encontram expressão exata nas palavras porque feitos só para o espírito.
Considero a madrugada a parte mais fascinante da noite. Quem já não ouviu falar no “silêncio da madrugada”? Sucede, porém, que esse silêncio é feito de muitos ruídos. Quase imperceptíveis, é certo, mas ruídos. É só ter ouvidos para discerni-los. Nisso a noite é como o vento. Ambos são entidades plurais.Há muitos ventos no vento, sabem disso os navegadores: o forte, o brando, o travesso e os perigosos, repugnantes mesmo, como os que sopram nas proximidades do cabo Bojador, empurrando os navios para os escolhos, fazendo-os naufragar, como constatou o valoroso Gil Eanes. De igual forma é o silêncio da noite. Ele é formado por muitos e diversos ruídos.
Escute a noite. Você vai ouvir o som brando do vento, o barulho do vagaroso farfalhar da folhagem das árvores; o ruído das folhas caídas sobre o chão de laje sendo empurradas pela brisa; um grito vindo de longe; o latido de um cão; os sons intermitentes de uma melodia; gemidos abafados que escapam de apartamentos vizinhos e que seriam de dor, não fossem antes de prazer; a irritante e escandalosa relutância de uma gata no cio; o ranger de pneus numa freada súbita; o choro de uma criança; o barulho de uma descarga de banheiro sendo acionada; o som lamentoso de uma sirene: um barulho como o de um tiro...
Mas esses não são todos os ruídos que compõem o silêncio da madrugada. Há muitos outros. Para ouvi-los, no entanto, é necessário muita prática. Ter ouvidos afinados por um diapasão especial. Porém, se você de fato gostar da noite alta terminará por identificar muitos outros de seus pequenos barulhos.
Há instantes, porém, em que eles parecem cessar. Isso se dá quando você é picado pelo carpanã da saudade. Ai, isolado dentro de si mesmo, você se lamenta pela frase de amor que não disse, pelo poema que não fez, pelos muitos afetos que deixou morrer por falta de cuidados.
Enfim, por uma porção de coisas que você poderia ter feito e não fez. Não fora assim, suas lembranças seriam menos dolorosas. Mas o passado, para aflição sua, leitor e de todos, tem o grande inconveniente de não poder ser refeito.
Nesse ponto, é preciso que você espante o incomodo inseto e volte ao mundo em redor. Observe por um instante a aurora que chega e, esquecendo a noite e as lembranças, vá dormir. Se puder.
escrever comentário | ler comentários (1)
Quinta-Feira , 02 de Julho de 2009 às 11:18h
escrever comentário | sem comentários
Quinta-Feira , 02 de Julho de 2009 às 11:01h
Deu no Jornal da Paraiba:
O Hospital Municipal Ana Maria Coutinho Ramalho, da cidade de Lagoa Seca, no Brejo paraibano, não está mais realizando atendimentos aos pacientes que não apresentarem o cartão do Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi tomada pela direção após uma recomendação do Ministério da Saúde, que determinou que todo usuário do Sistema Único de Saúde deve possuir seu cartão para poder fazer uso dos serviços médicos hospitalares.
Segundo a diretora administrativa do hospital, Lúcia de Fátima, a unidade de saúde realiza cerca de 2.500 atendimentos por mês, sendo que 80% destes pacientes não apresentam o cartão do SUS.
Ela deixou claro que a ordem do Ministério da Saúde agora é realizar o procedimento médico apenas quando o paciente apresentar a documentação completa necessária, que é composta de cartão do SUS e documento de identidade original para os adultos, e cartão do SUS e registro de nascimento no caso de crianças. “É o cartão que garante o repasse da verba do SUS para a unidade e, consequentemente, os avanços na qualidade do atendimento prestado pela unidade”, explicou.
COMENTÁRIO MEU: Como vocês acabaram de ler, tá tudo errado. Para fazer uso dos serviços médicos hospitalares, o usuário do SUS não tem necessariamente que portar o cartão. Tem que estar doente. Se este for o caso, o atendimento deve ser feito com cartão ou sem cartão. Afinal, o Sistema é Único e Universal.
Quer dizer que se o cidadão chegar ao hospital passando mal, mas não tiver o cartão, é mandado embora? Essa burocracia de distribuir cartões do SUS deve ser do Ministério. Isso poderia ser feito no próprio hospital, logo após o atendimento.
Agora, a explicação da diretora do hospital é ótima. Segundo ela, “é o cartão que garante o repasse da verba do SUS para a unidade...”. Ou seja, tudo acaba em dinheiro e funcionário público quando quer atrapalhar é imbatível.
escrever comentário | ler comentários (3)
Quinta-Feira , 02 de Julho de 2009 às 08:07h
O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) apresentou, ontem, proposta de emenda à Constituição (PEC) que vincula, obrigatoriamente, o exercício da profissão de jornalista aos portadores de diploma do curso superior de jornalismo. A PEC tem como objetivo superar o impasse provocado pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, no mês passado, declarou nula a exigência do diploma prevista no decreto-lei 972, de 17 de outubro de 1969.
A PEC, entretanto, apresenta duas ressalvas, ao permitir que colaboradores possam publicar artigos ou textos semelhantes e os jornalistas provisionados continuem atuando, desde que com registro regular. Os jornalistas provisionados com registro regular são aqueles que exerciam a profissão até a edição do decreto.
O decreto-lei permitiu, ainda, que, por prazo indeterminado, as empresas pudessem preencher um terço de suas novas contratações com profissionais sem diploma. Conforme a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), esses jornalistas provisionados possuem registro temporário para trabalhar em um determinado município. O registro deve ser renovado a cada três anos. E essa renovação só é possível para as cidades onde não haja nenhum jornalista interessado na vaga existente nem curso superior de jornalismo.
"Uma consequência óbvia da não obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão seria a rápida desqualificação do corpo de profissionais da imprensa do país. Empresas jornalísticas de fundo de quintal poderiam proliferar contratando, a preço de banana, qualquer um que se declare como jornalista. Era assim no passado, e resquícios desse período ainda atormentam a classe jornalística de tempos em tempos", argumenta o parlamentar sergipano, na justificação do seu projeto.
Conforme o senador, a principal atividade desenvolvida por um jornalista, no sentido estrito do termo, é "a apuração criteriosa de fatos, que são então transmitidos à população segundo critérios éticos e técnicas específicas que prezam a imparcialidade e o direito à informação". Daí a exigência de formação e profissionalismo.
O senador rebateu, nesta quarta, as críticas dos que acham que a PEC é uma "confrontação ao Supremo", já que este teria tentado preservar a cláusula pétrea do texto constitucional que se refere à garantia da liberdade de expressão. Segundo Valadares, a exigência do diploma diz respeito não à liberdade de expressão, mas à qualificação indispensável para uma atividade profissional que interfere diretamente, e de forma ampla, no funcionamento da sociedade.
O parlamentar assinalou, também, que a existência da figura do colaborador em todas as redações é uma prova de que a liberdade de expressão não está sendo tolhida. Exemplos disso são médicos, advogados e outros profissionais que escrevem textos técnicos sobre os campos onde atuam. E poderão continuar a fazê-lo, caso a PEC seja aprovada.
Fonte: Portal UOL.
escrever comentário | ler comentários (3)
Quarta-Feira , 01 de Julho de 2009 às 21:17h
Por Agnaldo Almeida
Sobre a minha recente estada em São Paulo, contei que na quarta feira havia almoçado com Zé Nêumanne num “pequeno e simpático restaurante de comida caseira, onde Nêumanne é mais conhecido do que José Serra. Saboreamos um pratinho básico: feijão, arroz, farofa de ovo e picanha”.
Pois bem, dois leitores do blog, Clovis Jr. e Tarcísio Gadelha ficaram interessados em saber o nome e a localização do tal restaurante. Recorri a Zé para melhor informar aos leitores.
Sempre atencioso, Nêumanne mandou o seguinte e-mail:
“Dê-me notícias, amigo velho.
Recomende-me a Naná, Vanina e a tropa toda.
Fico feliz pelos bons resultados
E me mantenho aqui a seu dispor.
Fomos ao restaurante Dona Felicidade
Rua Tito 21
Vila Romana
Telefones 11 3064 3866 e 11 3679 9129
HTTP://www.donafelicidade.com.br
É administrado por dona Felicidade, a dona, seus filhos Toninho e Sérgio e seu neto Leo.
Eles também têm um boteco muito legal ali por perto:
Tiroliro
Rua Cotoxó, 1185
Perdizes
Tel 11 3868 3551.
Horário 17h/1h (sáb. 12h/20h; fecha dom)
Abração
Zenêumanne”
escrever comentário | ler comentários (1)
Quarta-Feira , 01 de Julho de 2009 às 18:03h
(Enviado pelo leitor Anônimo_BR)
AMADO MICHAEL
Por Tom Zé
Negro da luz que desbota branco
Tanto talento tormento tanto
Tanta afronta de pouca monta.
Eia! virtudes em farta ceia
Todo encanto que pode o canto
Toda fiança que adoça a dança.
Que deus nos furta vida tão curta?
Mundo lamenta: ele mal cinquenta!
A ninguém ilude essa bruxa rude.
Paroxismo desse Narciso
Que achou desgosto no próprio rosto
E apedrejou-se com faca e foice.
Avança a rua (uma dor que dança)
E em seus telhados mandibulados
Requebra os hinos do dançarino.
Niños, rapazes, se sentem azes
Herdeiros todos e seus parceiros
Revelam parque, porto e favela.
II Da Grécia três te trouxeram
Graças Arcas repletas de belas artes
Arcas que deram ciúme às Parcas.
Que luz trarias tu, mitologia,
Para um tal desatino de destino
Que o espandongado toma por fado?
Porque o povo grego disse que
Se a hybris o herói consigo quis,
Se condiz ao lado dela ser feliz
Ele mesmo será pão e maldição
Enquanto gera para os olhos de Megera.
**************
Tom Zé é um importante nome da MPB, tendo participado de movimentos como a Tropicália e vencido IV Festival De Música Popular Brasileira, em 1968, com a música São, São Paulo, Meu Amor. Até hoje, já lançou 19 álbuns; o mais recente é Estudando a Bossa, de 2008.
escrever comentário | sem comentários
Quarta-Feira , 01 de Julho de 2009 às 17:34h
Por Agnaldo Almeida
Na última segunda–feira, 29, dia de São Pedro, quando voltava de São Paulo em voo da TAM, uma simpática aeromoça, lá pras tantas, anunciou aos distintos passageiros que iria dar início ao serviço de bordo. Em outras palavras: estava preparando o nosso rango.
Pois bem, a moça cuidou de acrescentar o seguinte: “Como estamos indo para o Nordeste, onde se comemora a festa do São João, iremos servir uma comida típica da época: cachorro quente.
Olhei pra Naná e demonstrei minha estranheza: cachorro quente é comida junina? Bom, resolvemos aguardar. Quando o danado chegou, sem latir, era tão somente um pão aberto ao meio com uma salsicha dentro.
A simpática aeromoça perguntou se queríamos condimentos. Tem maionese e ketchup. Por recomendação médica, não pude aceitar nenhum dos dois.
Passei o resto da viagem me perguntando quem teria dito àquela jovem que cachorro quente era prato da época. Primeiro, que aquilo não era cachorro quente coisa alguma. Sem carne moída, nem que seja de soja, não pode ser cachorro quente.
Segundo: quando ela anunciou comida junina pensei que fosse servir um, digamos assim, pratinho de manguzá, um pedaço de pamonha ou, quem sabe, uma fatiazinha de canjica. Que nada!
A não sei quantos mil metros de altura e bem perto da saída de emergência, preferi não reclamar. Mas este, com certeza, foi o São João (aliás, o São Pedro) mais estranho que passei até hoje.
Caipira sofre, não é não?
escrever comentário | ler comentários (2)
Quarta-Feira , 01 de Julho de 2009 às 16:31h
Uma investigação em mais de 20 países divulgada nesta quarta-feira conclui que a indústria do futebol está sedo usada por quadrilhas criminosas para lavagem de dinheiro e tráfico de pessoas.
A Força-Tarefa Financeira - uma agência intergovernamental responsável por rastrear recursos provenientes do crime - afirma que a importância econômica cada vez maior do futebol transformou o esporte em alvo preferencial de quadrilhas de lavagem de dinheiro.
"O fluxo de muito dinheiro nos esportes tem efeitos positivos, mas também há consequências negativas", diz o documento. "Há um risco mais alto de fraude e corrupção, dada a quantidade de recursos em jogo."
De acordo com a investigação, criminosos em busca de "legitimação" de seus recursos ilícitos cada vez mais compram clubes e financiam a transferência de jogadores e atividades de apostas.
A força-tarefa conclui que o futebol é especialmente atraente para quadrilhas criminosas porque a estrutura do setor facilita a entrada de recém-chegados. Segundo a investigação, há muitos envolvidos, diversos órgãos legais e muitas vezes falta profissionalismo na administração dos clubes.
escrever comentário | ler comentários (2)
Quarta-Feira , 01 de Julho de 2009 às 12:01h
Petrônio Souto encontrou na internet e mandou para o blog:
Nomes perfeitos para as respectivas atividades
Ana Lisa
Psicanalista
P. Lúcia
Fabricante de Bichinhos
Pinto Souto
Fabricante de Cuecas
Marcos Dias
Fabricante de Calendário
Olavo Pires
Balconista de Lanchonete
Décio Machado
Guarda Florestal
H. Lopes
Professor de Hipismo
Oscar Romeu
Dono de Concessionária
Hélvio Lino
Professor de Música
K. Godói
Médico especialista em hemorróidas
Alberta Alceu Pinto
Garota de Programa
H. Romeu Pinto
Garoto de Programa
Eudes Penteado
Cabeleireiro
Sara Vaz
Mãe de Santo
Passos Dias Aguiar
Instrutor de Auto-escola
Édson Fortes
Baterista
Sara Dores da Costa
Reumatologista
Jamil Jonas Costa
Urologista
Iná Lemos
Pneumologista
Ester Elisa
Enfermeira
Ema Thomas
Traumatologista
Malta Aquino Pinto
Médico especialista em doenças venéreas
Inácio Filho
Obstetra
Oscar A. Melo
Confeiteiro
Jacinto Pinto Aquino Rego
Torcedor do SÃO PAULO
escrever comentário | sem comentários
Terça-Feira , 30 de Junho de 2009 às 21:36h
ANNABEL LEE
Edgar Allan Poe
(tradução de Henrique Marques-Samyn)
Foi há muito tempo, num reino
Junto ao mar que eu a vi;
Vivia lá uma donzela, sabeis,
Chamada Annabel Lee.
E ela vivia com um só pensamento:
Amar-me e amada ser por mim.
Só uma criança eu era, e ela também,
Naquele reino; ainda assim,
Com um amor que era mais que amor nos amamos –
Eu e minha Annabel Lee –
Um amor tal que alados serafins, nos céus,
Com inveja a viam junto a mim.
Foi por esse motivo que, há muito tempo,
No reino à beira-mar, enfim,
De entre as nuvens um vento veio, e enregelou
Minha bela Annabel Lee.
Porquanto seus nobres parentes vieram
E arrastaram-na de mim,
Para encerrá-la num sepulcro
no reino junto ao mar, por fim.
Os anjos, tão menos felizes nos céus,
invejavam-na ainda, e a mim –
Sim! — por isso é que (todos já o sabem,
No reino junto ao mar, ali)
Veio de entre as nuvens um vento, noturno,
Matando e enregelando minha Annabel Lee.
Nosso amor era, entanto, mais forte que o amor
Desses que nós mais velhos, sim –
Desses muito mais sábios, sim –
E nem anjos nos céus, seu lar superior,
Nem aqueles demônios sob o mar, nos confins,
Nunca apartarão a minha alma da alma
Da bela Annabel Lee: –
Nunca esplende o luar sem meu sonho inspirar
Com a bela Annabel Lee;
E estrelas nunca vejo, mas os olhos acesos
Da bela Annabel Lee: –
Se me deito, em meu leito eis recolhida minha querida,
Minha amada — minha amada — minha vida, minha prometida,
Em seu sepulcro junto ao mar, ali –
Seu túmulo junto do mar a bramir.
escrever comentário | ler comentários (1)
Terça-Feira , 30 de Junho de 2009 às 20:46h
Por Agnaldo Almeida
Vez por outra se discute aqui no Brasil a possibilidade de se incluir numa futura reforma política do país um instituto extremamente democrático e participativo chamado "recall".
O recall significa a possibilidade de o povo soberanamente cassar o mandato do seu representante no curso da representação, quando ele se mostra ineficaz, corrupto ou infiel à vontade do eleitor.
Esse instituto prevê a possibilidade de se convocar eleição para se confirmar ou não aquele mandato que se considera estar sendo mal exercido.
A Ordem dos Advogados do Brasil chegou a propor a sua implantação. E, segundo o jurista Fábio Konder Comparato, membro da entidade, a adoção do “recall” faz parte de um conjunto de medidas para “transformar o povo de soberano simbólico em soberano efetivo”.
Pois bem, que falta nos faz agora este tal recall. Se existisse, o Senado Federal estaria no ponto para ser submetido a este teste de sintonia com a opinião pública.
Os escândalos são tantos, tão rotineiros na mais prestigiada casa do parlamento brasileiro que se alguém gritar “pega recall!”, não fica um.
Na sessão de hoje do Senado, o “índio branco” Arthur Virgílio (que já recebeu favores de Agaciel Maia) disse textualmente que a Casa está sem presidente.
De fato, Sarney está trancado na sua residência, pensando se tira uma licença, se renuncia ou se ainda consegue uma sobrevida com a ajuda de Lula e do PT. Até o DEM que o apoiou na eleição de fevereiro já tirou o corpo fora. O líder José Agripino também quer que ele se licencie.
A gente copia tanta besteira dos Estados Unidos, podia pelo menos copiar esta. O recall pode até não resolver muita coisa, já que aqui o costume é trocar seis por meia dúzia, mas ainda assim daria chances ao eleitor de mandar essa turma mais cedo pra casa.
escrever comentário | ler comentários (1)
Terça-Feira , 30 de Junho de 2009 às 16:06h
"O bom senso é a coisa mais bem distribuída do mundo: cada um pensa estar tão bem provido dele que até os mais difíceis de contentar com outros bens quaisquer, não têm costume de desejar mais senso do que aquele que já possuem." (Descartes).
escrever comentário | ler comentários (1)