Segunda-Feira , 16 de 08 de 2010 às 18:52h
Jennings: uma gang domina os esportes
O jornalista britânico Andrew Jennings, conhecido por seu trabalho sobre corrupção na Fifa, proferiu no início deste mês, em São Paulo, durante o Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, palestra sobre o tema "Investigação em esportes".
Entre outros assuntos, ele tratou dos casos de corrupção envolvendo países-sedes e entidades responsáveis pela organização de grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
Segundo Jennings, enquanto se discute rivalidades clubísticas e aspectos técnicos, Ricardo Teixeira e os dirigentes do esporte brasileiro estão abrindo a porta dos fundos do Brasil para os bandidos da FIFA e do COI. Não, ele jamais fora processado pelas denúncias feitas, segundo o próprio. Jennings é do tipo raro, que espera conseguir documentos para denunciar e colocar em constrangimento aqueles que precisam se explicar.
Ele foi muito claro, direto e objetivo. Quando indagado se será bom para o Brasil receber a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, respondeu que cabe aos brasileiros avaliar se o País, hoje, precisa construir mais hospitais, melhorar o sistema de saúde, saneamento básico, transporte, habitação para os pobres, segurança, ou construir estádios que nunca mais estarão lotados.
Lembrou que a Copa do Mundo da África do Sul foi absolutamente super faturada, com péssima utilização de dinheiro público e que não deixou nada além de “elefantes brancos.”. Antes do início da Copa — e durante – este Blog publicou os horrores e a hipocrisia da Fifa e seus parceiros na África do Sul. Leiam agora a entrevista que ele deu ao site Sempre Tricolor:
Em suas investigações sobre a Fifa, o que o senhor descobriu?
A Fifa é comandada por um pequeno grupo de homens – não há mulheres em altos postos da entidade e isso fala por si – que está lá há muitos anos. São homens em quem não devemos confiar e contra quem temos provas contundentes. Eles podem continuar no poder porque controlam o dinheiro. E tornam a vida dos dirigentes das confederações nacionais muito boa e fácil. Fico envergonhado porque ninguém se manifesta contra esse poder.
Como os dirigentes se manifestariam?
Zurique, sede da Fifa, é uma Pyongyang do futebol. O líder fala e os outros agradecem. Numa democracia é esperado que haja discordância, oposição. Na Fifa, não há. Eles têm um congresso a que, ironicamente, chamam de parlamento. São cerca de 600 delegados – acho que são 2 ou 3 por país representado, e são 208 países. Se você chegasse de Marte acharia que o mundo é perfeito, porque todos concordam. É vergonhoso. Nisso, a CBF é tão culpada quanto todas as outras confederações.
Que instrumentos a Fifa usa para manter esse poder?
A Fifa dá cerca de US$ 250 mil por ano para cada país investir em futebol. Na Europa, não precisamos desse dinheiro. A indústria do futebol fatura o suficiente para se alimentar. Mas é uma forma de a Fifa se manter. Esse dinheiro nunca é auditado. Na Suíça, a propina comercial não era ilegal até pouco tempo, apenas o suborno de oficiais do governo. O caso que eu conto no meu livro é justamente sobre um esquema de propinas pagas pela International Sport and Leisure (ISL), empresa que negociava os direitos televisivos e de marketing da Fifa. A história é cheia de detalhes, mas no final a ISL só foi responsabilizada pelo fato de gerenciar mal seus negócios enquanto devia para outras empresas.
Não houve punição?
Como eu disse, o pagamento de propina não era ilegal na Suíça. Portanto, não havia crime a ser punido. As acusações contra a Fifa foram retiradas e a entidade foi multada em 5,5 milhões de francos suíços (cerca de US$ 5 milhões) para custos legais.
Por que os governos não se envolvem ou a Justiça não faz algo?
Porque a sede da Fifa é na Suíça e a lei lá é muito permissiva. Para outros países, é inaceitável que esses homens se safem tão facilmente e que os altos dirigentes riam da nossa cara desse jeito. O que me deixa enojado é que os líderes dos países – o primeiro-ministro britânico, o presidente Lula e todos os outros – façam negócio com essas pessoas. Eles deveriam lhes negar vistos, deveriam dizer que não querem se relacionar com dirigentes tão corruptos. E tenho certeza de que, se os governantes se voltassem contra a corrupção da Fifa, teriam apoio maciço dos torcedores/eleitores.
Por que todos são tão complacentes?
Suponhamos que você seja uma torcedora fanática pelo seu time. Você vai à Copa do Mundo, mas como sempre há escassez de ingressos. Você então compra suas entradas de cambistas, mesmo sabendo que parte desse ágio vai voltar para o bolso da Fifa, já que ela é suspeita de liberar esses ingressos para os ambulantes. Você não pode provar, claro, mas você sabe. As pessoas não são estúpidas. Os governos menos ainda, eles podem investigar o que quiserem. Mas não investigam a Fifa porque os políticos simplesmente ignoram os torcedores. É o que já está acontecendo com a Copa de 2014. Qualquer brasileiro com mais de 10 anos sabe que a corrupção já está instalada. Por que ninguém faz nada?
Por quê?
É difícil saber. Se um país relevante enfrentasse a Fifa ela recuaria. Ou você acha ela excluiria o Brasil de uma Copa? Eles conseguem enganar países pequenos, esquecidos pelo mundo. Mas, se o Brasil dissesse não à corrupção, provavelmente a América Latina se uniria a vocês. E você acha que esses líderes latino-americanos nunca discutiram a possibilidade de um levante, de fazer o que os europeus já deveriam ter feito há tempos? Acho que lhes falta coragem.
O Brasil tentou fazer uma investigação, por meio de uma CPI...
Tentou e foi ao mesmo tempo uma vitória para o país e uma grande decepção, porque pararam de investigar no meio. O povo vai ter de pressionar os políticos a fazer algo. É realmente uma pena que o Brasil tenha chegado tão longe na investigação e tenha desistido no caminho. Havia provas para seguir em frente, para tirar a CBF das mãos do Ricardo Teixeira e, quem sabe, colocar auditores independentes lá dentro. A Justiça também poderia ser mais ativa. Por mais que eles tenham comprado alguns juízes, não compraram todos, certamente.
Sabendo de tudo isso o senhor ainda consegue curtir o futebol, se divertir com ele?
Sim, porque a corrupção não está tão infiltrada nos jogos, embora chegue a essa ponta também. Ela fica mais nos bastidores. Há exceções, como na Copa de 2002, em que a Espanha e a Itália foram roubadas grotescamente. Era importante para a Fifa que a Coreia do Sul passasse adiante. Não foi culpa dos jogadores, mas as razões políticas e econômicas se impuseram. Na Coreia, o beisebol é mais popular do que o futebol. Se eles fossem desclassificados, os estádios se esvaziariam. Neste ano, todos ficaram de olho nos jogos de times africanos. Blatter também precisa de um time do continente nas oitavas. A questão é que, quando assistimos às partidas, assistimos aos atletas, ao esporte, então, é possível confiar. É fácil punir um árbitro corrupto e a maioria não é corrompida.
Então, a corrupção não interfere tanto no esporte?
Cada centavo que os dirigentes tiram ilicitamente da Fifa ou das organizações nacionais é dinheiro que eles tiram do esporte e de investimentos. Portanto, estão desviando de nós, torcedores, e dos atletas que jogam no chão batido em países subdesenvolvidos. Eles tiram dos pobres.
É possível para os jogadores, técnicos e dirigentes se manterem distantes da corrupção no futebol?
Bom, o dinheiro normalmente é tirado do orçamento do marketing, não afeta jogadores e técnicos dos times nacionais. Uma coisa interessante é o comitê de auditoria interna da Fifa. Um dos membros é José Carlos Salim, que foi investigado muitas vezes no Brasil. Por que você acha que ele está lá? Para fingir que não vê.
A corrupção no futebol começa nos clubes e se espalha ou vem de cima para baixo?
Sempre haverá um nível de roubalheira em todas os escalões. Para isso temos leis e, às vezes, conseguimos aplicá-las. Mas a pior corrupção está na liderança mundial. Quase todos os países assinam tratados internacionais anticorrupção, mas não fazem nada quanto aos desmandos da Fifa e do COI. E, quando algum governante tenta ir atrás de dirigentes de futebol corruptos, a Fifa ameaça suspender o país. Só que ela faz isso com os pequenos. Fizeram isso com Antígua! Suspenderam o país minúsculo que ousou processar o dirigente nacional. Ninguém falou nada. Eu escrevi sobre isso porque tenho fãs lá que me avisaram do caso.
O senhor se sente uma voz solitária na imprensa?
Não confio na cobertura esportiva das agências internacionais. Em outras áreas elas são ótimas. Não no esporte. É uma piada. Apresento documentários com denúncias graves sobre a Fifa na BBC, num programa de jornalismo investigativo chamado [ITALIC]Panorama[/ITALIC], e dias depois a BBC Sport faz um programa inteiro em que Joseph Blatter apresenta alegremente a nova sede da Fifa em Zurique.
O senhor acompanhou a briga do técnico Dunga com a imprensa brasileira?
Não vou comentar o episódio porque não acompanhei de perto. Posso dizer que a imprensa inglesa e a da maioria dos países é puxa-saco. E sem razão para isso. A desculpa é que os editores têm medo de perder o acesso às seleções e à Fifa. Bobagem. Ora, eu fui banido das coletivas da Fifa sete anos atrás e ainda consegui escrever um livro e fazer várias reportagens. A imprensa deve atribuir as responsabilidades às autoridades. Se não fizer isso, é relações públicas. Tenho milhares de documentos internos da Fifa que fontes me mandam e não param de chegar. Por que só eu faço isso?
A cobertura se concentra mais no evento esportivo em si e nas negociações de jogadores?
Exato, também porque a chefia das redações tende a se concentrar nos assuntos de política nacional, internacional e na economia e deixar o esporte em segundo plano.
O que o senhor espera da Copa no Brasil, em 2014?
Há algumas semanas, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, deu um piti público cobrando o governo brasileiro para que acelerasse as construções para a Copa. Estranhei muito, porque não imagino que o governo brasileiro se recusaria a financiar uma Copa. Vocês são loucos por futebol, estão desenvolvendo sua economia, têm recursos e podem achar dinheiro para isso. Uma fonte havia me dito que Valcke e Ricardo Teixeira tinham tirado férias juntos, estavam de bem. Então, o que está por trás dessa gritaria? É pressão para o governo brasileiro colocar mais dinheiro público nas mãos da CBF. Mundialmente, as empreiteiras têm envolvimento com corrupção. Dá para sentir o cheiro daqui.
Três de seus livros são sobre as Olimpíadas. As falcatruas acontecem em qualquer esporte ou são predominantes no futebol?
Sou cuidadoso ao falar disso. Sei que a liderança da Fifa é muito corrupta – e venho publicando isso há mais de dez anos sem que eles tenham me processado nem uma vez sequer, o que diz muito. O COI era muito pior sob o comando de Juan Antonio Samaranch (morto em abril deste ano), que presidiu a entidade de 1980 a 2001. Ele era um fascista e o fascismo é, além de tudo, uma pirâmide de corrupção. Samaranch trabalhou ao lado do generalíssimo Franco. Essa cultura franquista e fascista se transformou em uma cultura gângster.
A corrupção no COI diminuiu com a saída de Samaranch?
Vou ilustrar com uma história. No meu site publiquei uma foto de Blatter cumprimentando um mafioso russo, em 2006, em um encontro com dirigentes do país. O russo foi quem fez o esquema em Salt Lake, na Olimpíada de Inverno de 2002, para que os conterrâneos ganhassem o ouro em patinação artística. Pois bem, Blatter, Havelange e muitos outros da Fifa são parte do comitê do COI. Essa é a dica de como a Rússia está agindo para sediar a Copa de 2018.
Foi assim que o Brasil conseguiu a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016?
Na votação em Copenhague, que deu a sede olímpica para o Rio de Janeiro, o nível de investigação jornalística foi ridículo, só víamos a praia de Copacabana com o povo feliz. Há um grupo no COI que já foi denunciado por receber propina no escândalo da ISL – e quem acompanha a entidade sabe quem eles são. Os dirigentes dos países só precisam pagar umas seis ou sete pessoas para conseguir o voto. Existe, com certeza, uma sobreposição entre os métodos da Fifa e do COI. Mas a cultura das duas entidades não é tão estrita quanto à de uma máfia, é mais como se fossem máfias associadas, apoiadas umas nas outras. Coca-Cola, redes de fast-food, Adidas, você acha que essas companhias não sabem o que está acontecendo? Eles não são estúpidos. A cara de pau é tamanha que Jacques Rogue, presidente do COI, disse em Turim, em 2006, que o COI e o McDonald’s compartilham os mesmos ideais. Será que ele não sabe quanto a obesidade infantil é um problema gravíssimo em vários países? Ou faz parte do jogo ceder a esses interesses?
escrever comentário | sem comentários
Sexta-Feira , 13 de 08 de 2010 às 22:14h
No primeiro semestre deste ano, a editora Paz e Terra relançou, numa iniciativa do historiador Marco Morel, o livro A Revolta da Chibata. Quem tem menos que 35 anos e não é aficionado por samba, muito provavelmente não conhece O Mestre Sala dos Mares, com letra de Aldir Blanc e música de João Bosco.
Gravado em 1977, entrava no registro de música altamente alegórica para passar pela censura do regime militar. A música narra um dos momentos mais dramáticos da primeira fase da República brasileira e completamente maldito para a Marinha, mais conhecido como A Revolta da Chibata.
Em 1910, mais de 2.300 marinheiros, quase todos negros e mulatos, se insurgiram contra o castigo corporal então infligido e tomaram conta de quatro navios de guerra em plena Baía da Guanabara, chegando a bombardear o Rio de Janeiro, então capital da República.
Pois este capítulo da história nacional feita por gente do povo teve o seu melhor e mais apurado registro em obra que agora ganha relançamento, meio século depois de sua primeira edição, o clássico do jornalista Edmar Morel (1912-1989), A Revolta da Chibata. Esta reedição especial, organizada pelo historiador Marco Morel, neto do jornalista, tem como anexo o diário inédito em livro de João Cândido, o líder da revolta.
O material foi originalmente publicado em 12 edições no jornal Gazeta de Notícias, entre 1912 e 1913. Esta nova edição incorpora, ainda, uma nova introdução e uma rica seleção de imagens do Acervo da Fundação Biblioteca Nacional.
Esta obra traz o registro, entre outras qualidades, de um dos capítulos mais importantes na luta dos Direitos Humanos no Brasil em termos mais geral e do combate aberto ao racismo que ainda persiste. Entre documentações várias e imagens expressivas pesquisadas e aqui impressas a partir dos arquivos, encontra-se a carta manifesto dos revoltosos ao governo.
A REVOLTA
A Revolta da Chibata foi um importante movimento social ocorrido, no início do século XX, na cidade do Rio de Janeiro. Começou no dia 22 de novembro de 1910.
Neste período, os marinheiros brasileiros eram punidos com castigos físicos. As faltas graves eram punidas com 25 chibatadas (chicotadas). Esta situação gerou uma intensa revolta entre os marinheiros.
As Causas
O estopim da revolta ocorreu quando o marinheiro Marcelino Rodrigues foi castigado com 250 chibatadas, por ter ferido um colega da Marinha, dentro do encouraçado Minas Gerais. O navio de guerra estava indo para o Rio de Janeiro e a punição, que ocorreu na presença dos outros marinheiros, desencadeou a revolta.
O motim se agravou e os revoltosos chegaram a matar o comandante do navio e mais três oficiais. Já na Baia da Guanabara, os revoltosos conseguiram o apoio dos marinheiros do encouraçado São Paulo. O clima ficou tenso e perigoso.
Reivindicações
O líder da revolta, João Cândido (conhecido como o Almirante Negro), redigiu a carta reivindicando o fim dos castigos físicos, melhorias na alimentação e anistia para todos que participaram da revolta. Caso não fossem cumpridas as reivindicações, os revoltosos ameaçavam bombardear a cidade do Rio de Janeiro (então capital do Brasil).
Segunda revolta
Diante da grave situação, o presidente Hermes da Fonseca resolveu aceitar o ultimato dos revoltosos. Porém, após os marinheiros terem entregues as armas e embarcações, o presidente solicitou a expulsão de alguns revoltosos. A insatisfação retornou e, no começo de dezembro, os marinheiros fizeram outra revolta na Ilha das Cobras.
Esta segunda revolta foi fortemente reprimida pelo governo, sendo que vários marinheiros foram presos em celas subterrâneas da Fortaleza da Ilha das Cobras. Neste local, onde as condições de vida eram desumanas, alguns prisioneiros faleceram. Outros revoltosos presos foram enviados para a Amazônia, onde deveriam prestar trabalhos forçados na produção de borracha.
O líder da revolta João Cândido foi expulso da Marinha e internado como louco no Hospital de Alienados. No ano de 1912, foi absolvido das acusações junto com outros marinheiros que participaram da revolta.
Edmar Morel
O cearense Edmar Morel chegou ao Rio de Janeiro nos anos 30 e logo se tornou um dos principais jornalistas da época, tendo atuado nas principais mídias como O Globo, Jornal do Brasil, O Cruzeiro, incluindo e outros aliados à militância da esquerda nacionalista e democrática, logo, fora da esfera do Partido Comunista de Luis Carlos Prestes.
Essa passagem histórica da Revolta da Chibata teve ampla cobertura da imprensa em 1910, mas depois disso caiu no pleno esquecimento e não foi à toa.
O livro foi resultado de 10 anos de pesquisas de Edmar Morel passando pelos mais diversos materiais: fontes documentais, relatos orais, matérias de jornais da época, manuscritos, debates parlamentares, livros, textos oficiais, poemas, caricaturas, correspondências privadas Para saber e memórias.
Como destaca Marco Morel, "Redigida com estilo ágil e direto do jornalismo, sempre traz explícito o ponto de vista do autor - que cita, incorpora e se posiciona diante de visões contrárias e hostis aos feitos dos marujos de 1910".
escrever comentário | sem comentários
Sexta-Feira , 13 de 08 de 2010 às 17:38h
Enviado por Marcos Pires
1 - "Certo"
Esta é a palavra que as mulheres usam para encerrar uma discussão quando elas estão certas e você precisa se calar.
2 - "5 minutos"
Se ela está se arrumando significa meia hora. "5 minutos" só são cinco minutos se esse for o prazo que ela te deu para ver o futebol antes de ajudar nas tarefas domésticas.
3 - "Nada"
Esta é a calmaria antes da tempestade. Significa que ALGO está acontecendo e que você deve ficar atento. Discussões que começam em "Nada" normalmente terminam em " Certo ".
4 - "Você que sabe"
É um desafio, não uma permissão. Ai de você se não fizer o que ela quer. Ela está te desafiando, e nessa hora você tem que saber o que é que ela quer... E não diga que também não sabe!
5 - " Suspiro ALTO "
Não é realmente uma palavra, é uma declaração não-verbal que frequentemente confunde os homens. Um suspiro alto significa que ela pensa que você é um idiota e que ela está imaginando porque ela está perdendo tempo parada ali discutindo com você sobre "Nada".
6 - "Tudo bem”
Uma das mais perigosas expressões ditas por uma mulher. "Tudo bem" significa que ela quer pensar muito bem antes de decidir como e quando você vai pagar por sua mancada.
7 - " Obrigada"
Uma mulher está agradecendo, não questione, nem desmaie. Apenas diga "por nada". ( a menos que ela diga "MUITO obrigada" - isso é PURO SARCASMO e ela não está agradecendo por coisa nenhuma. Nesse caso, NÃO diga "por nada". Isso apenas provocará o "Esquece").
8 - "Esquece"
É a tradução de “ PORRA!!!” .
9 - "Deixa pra lá, EU resolvo"
Outra expressão perigosa, significando que uma mulher disse várias vezes para um homem fazer algo, mas agora está fazendo ela mesma. Isso resultará no homem perguntando "o que aconteceu?". Para a resposta da mulher, consulte o item 3.
10 - "Precisamos conversar !"
Fodeu. Você está a 30 segundos de levar um pé na bunda.
11 - "Sabe, eu estive pensando..."
Esta expressão até parece inofensiva, mas usualmente precede os Quatro Cavaleiros do Apocalipse...
escrever comentário | ler comentários (3)
Quinta-Feira , 12 de 08 de 2010 às 18:27h
Na Índia são ensinadas as "Quatro Leis da Espiritualidade"
1 - "A pessoa que vem é a pessoa certa"
Significando que ninguém entra em nossas vidas por acaso, com todas as pessoas ao nosso redor, interagindo com a gente, há algo para nos fazer aprender e avançar em cada situação.
2 - "O que aconteceu? A única coisa que poderia ter acontecido”
Nada, nada, absolutamente nada que acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum "se eu tivesse feito tal coisa ... aconteceu que um outro ...". Não.
O que aconteceu foi tudo o que poderia ter acontecido, para nós aprendermos a lição e seguirmos em frente. Todas e cada uma das situações que acontecem em nossas vidas são perfeitas.
3 - "Toda vez que você iniciar,algo, este é o momento certo"
Tudo começa na hora certa, nem antes nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é que as coisas acontecem.
4 - "Quando algo termina, termina"
Simples assim. Se algo acabou em nossas vidas é para a nossa evolução. Por isso é melhor sair, ir em frente enriquecendo-se com a experiência.
escrever comentário | ler comentários (1)
Quinta-Feira , 12 de 08 de 2010 às 18:05h
As indenizações mensais pagas pelo governo federal a perseguidos da ditadura militar serão revistas pelo Tribunal de Contas da União. A decisão tomada ontem pelo tribunal poderá reduzir ou cancelar quase R$ 4 bilhões já aprovados e que ainda serão repassados a anistiados.
A anistia e a concessão dos pagamentos são definidas pela Comissão de Anistia, ligada ao Ministério da Justiça. Mais de 7.000 beneficiários podem ser atingidos.
Os ministros do TCU aprovaram uma representação do Ministério Público que alegava que os pagamentos, feitos em prestações mensais, devem ser considerados como aposentadorias e pensões do poder público. A Constituição determina que o tribunal deve analisar caso a caso.
O procurador Marinus Marsico afirma que há "ilegalidade" na concessão de alguns benefícios. Ele cita o pagamento aprovado em 2007 à viúva de Carlos Lamarca, Maria Pavan Lamarca, que teve direito a receber R$ 903 mil retroativos e remuneração mensal de R$ 11.444,40.
O ato causou revolta nos quartéis. "A comissão não tem competência para promover ninguém", disse Marsico. A Comissão de Anistia não quis se manifestar porque não foi notificada.
escrever comentário | sem comentários
Quarta-Feira , 11 de 08 de 2010 às 10:04h
escrever comentário | sem comentários
Quarta-Feira , 11 de 08 de 2010 às 08:58h
O texto a seguir deveria ter sido postado no blog no domingo passado, mas um erro técnico do editor e a gripe que depois o acometeu impediram a sua publicação.
Seja como for, ei-lo. Até porque todo dia é dia de pai, não é não?
*********
Em nome do pai
Por Agnaldo Almeida
Cresce a cada dia o número de crianças e adolescentes que são obrigados a conviver com um núcleo familiar bastante diferente daquele a que tradicionalmente nos acostumamos. Com o aumento incontrolável dos casos de separações, já dá algum trabalho encontrar hoje em dia uma família composta de marido, mulher e filhos.
Aquela cena comum nos anos 1950 e 1960 em que pai e mãe, junto com os filhos, passeavam pelos parques com suas roupas domingueiras, vai ficando para o museu. A ida à missa naquelas manhãs claras de domingo, em que os mais velhos rezavam unidos enquanto os meninos se beliscavam uns aos outros, não passa hoje, com as exceções de praxe, de uma remotíssima lembrança.
Em lugar dessa singela família, que parece destinada a só existir nos empoeirados álbuns de fotografias, surge cada vez mais com maior freqüência um novo núcleo familiar formado de vovô, vovó e mamãe. Confira nos restaurantes, nas praias e nas tardes circenses: a família deste novo século ressente-se com impressionante freqüência da figura paterna.
Isso mesmo: o pai, outrora todo poderoso na constituição de um lar, já não é figura obrigatória nesse tipo de sociedade. Não é exagero dizer que, quanto mais passa o tempo, mais ele está desaparecendo das casas.
Onde andará ele?
Estará no bar, rodeado de raparigas como insinua a ex-sogra? Quem sabe, já esteja mesmo no motel, se refazendo em gozos de amor, tão intensos, mas tão fugazes...
Ao cair da tarde, em que solidão encontrará refúgio? Será que lhe ocorre passar na padaria, comprar o pão e levá-lo para uma casa e uma família que não existem mais. Será que vive horas de agonia ou, como imagina a ex-mulher, anda esbanjando dinheiro e é por isso que não paga a pensão?
Ninguém sabe ao certo por onde ele anda. Sabe-se por reclamação do ex-sogro que no dia do aniversário do filho não apareceu, não telefonou e, é claro, não teve tempo de comprar presentes. Até as ex-vizinhas já comentam que com a separação a vida da ex-mulher mudou da água pro vinho. “Ela vivia num inferno”, testemunhou uma delas enquanto voltava da missa, jurando de pés juntos que uma corrente carismática havia contribuído para que a amiga, enfim, se livrasse daquele traste.
No Dia dos Pais, vovô faz as honras da casa e recebe todas as homenagens. Vai poder almoçar no restaurante aquele cabrito guisado que mamãe e vovó nunca querem deixar. Vai vestir a camisa nova que ganhou dos netos e vai contar aquelas mesmas aventuras que a memória retém como resquício de vida.
O dia termina numa sessão coletiva de TV. No noticiário, a repórter diz que nas grandes cidades os telefones ficaram congestionados justamente por conta da data. Na sala, ninguém passa recibo e o telefone sem fio continua ali, como esteve o dia inteiro à espera de uma ligação que não veio. O horário avança e os meninos vão para as suas camas, não sem antes beijar vovô, vovó e mamãe.
Onde estará ele? – perguntam até os casais amigos que frequentavam a sua ex-casa, de onde todos costumavam sair para um chopp sábado à noite. “Não sei, não é aqui que ele mora mais” – responde vovó ao telefone, quando algum desavisado liga querendo falar com ele.
Dizem que até na empresa onde trabalha, o pessoal tem reclamado muito do seu comportamento. Está mais agressivo, taciturno e já deu para faltar ao expediente. Vovô contou que já falam até que ele pode ser demitido. “Será verdade mesmo?” – pergunta mamãe, toda apreensiva, lembrando que, neste caso, adeus pensão.
Nesse ambiente de tantos disse-me-disses, e tão visivelmente hostil, o pai ausente não chega a ser uma lembrança. É um incômodo. Nesta nova família, composta por vovô, vovó e mamãe, tudo o que se refere a ele causa constrangimento.
Um dia é o filho mais novo que pergunta na hora do almoço: “Mamãe, será que papai ainda vai voltar a morar com a gente”? Outra vez, é o balconista da loja que quer saber de mamãe porque ela preencheu a ficha de cadastro com um sobrenome diferente do que tem na carteira de identidade.
São tantos e tão frequentes esses constrangimentos que o melhor mesmo é fazer de conta que ele não existe mais. E claro que todas as fotografias antigas que enfeitavam a sala já foram retiradas. As fotos com os garotos estão guardadas num álbum e lá vão ficar guardadas até que os meninos decidam o que fazer com elas. A vara de pescar, o baralho semi-novo e aqueles discos velhos de roedeira já levaram fim. Até o passarinho preso na gaiola saiu ganhando com a sua ausência: propositadamente, deixaram a portinhola aberta e ele reconquistou a liberdade. Não se sabe quem foi que abriu a gaiola, mas todas as suspeitas recaem sobre vovó.
Talvez ainda seja cedo para se ter uma ideia do tipo de seqüela que esta família moderna dos tempos de hoje vai deixar nos garotos. Não deve ser fácil passar a infância inteira sendo “órfão” de pai vivo.
Por onde andará ele? Por que será que ninguém diz nada em sua defesa?
Estariam vovô, mamãe e vovó, todos ao mesmo tempo, mentindo e inventando coisas que ele na verdade nunca fez?
Ninguém sabe e provavelmente nunca se saberá.
Nesta nova célula-mater da sociedade as coisas acontecem tão depressa que, daqui a pouco, mamãe estará casada de novo.
Quanto a ele – deve estar por aí, como a Deus é servido.
escrever comentário | ler comentários (1)
Sexta-Feira , 06 de 08 de 2010 às 11:38h
Por Agnaldo Almeida
Fiquei acordado até depois da meia-noite para assistir ao debate da Band com os candidatos (quatro deles) a presidente da República. Perdi meu tempo. A pretexto de protagonizar uma conversa de alto nível, Serra, Dilma e Marina evitaram os temas mais polêmicos de suas candidaturas e das ideias que defendem para um período administrativo de quatro anos.
Apenas Plínio Arruda Sampaio, candidato do PSOL, assumiu postura diferente. Quis o tempo todo radicalizar o debate, defendendo a invasão nas propriedades rurais, o calote da dívida pública e a redução dos lucros das empresas.
Não concordo com uma só destas propostas, mas é inegável que elas e muitas outras deveriam ter constado da pauta dos presidenciáveis. Pra se ter uma ideia, a corrupção e o desvio de dinheiro público, que são dois dos maiores problemas do Brasil, não mereceu uma só referência.
Serra concentrou-se na discussão sobre a necessidade ou não de se constituir no país mutirões de saúde, para atacar doenças como catarata, câncer de próstata e varizes. É muito pouco, não é não?
A ex-ministra Dilma conseguiu ser pior. Atrapalhou-se nas respostas, não soube explicar porque o governo está discriminando entidades como a Apae e ficou repetindo números e ações do governo Lula. Quando era pra se posicionar sobre qualquer assunto, ficava em cima do muro. Parecia mais tucano do que o ex-governador.
Marina Silva fez uma leve tentativa de igualar os governos de FHC e Lula. Para ela, o primeiro, que é sociólogo, fez importantes reformas econômicas e o segundo, que era trabalhador, implantou programas de inclusão social. Em resumo, cada um ao seu modo agiu bem.
Esse tom extremamente conciliador da candidata do Partido Verde irritou o representante do PSOL, que insistentemente fixou sua posição em defesa de um corte drástico no modelo político a administrativo que está em vigor.
Corrupção, ajuda a banqueiros, política externa, aumento da produção e o combate às desigualdades regionais não foram objeto da atenção dos presidenciáveis. Aborto, reforma eleitoral e cotas raciais nas escolas e empresas públicas, também não.
Foi, enfim, um debate que deu sono.
escrever comentário | ler comentários (4)
Quinta-Feira , 05 de 08 de 2010 às 12:14h
Ilusões de Vida
Francisco Otaviano
Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem - não foi homem,
Só passou pela vida - não viveu.
escrever comentário | sem comentários
Quinta-Feira , 05 de 08 de 2010 às 11:49h
Rua General Osório, antiga Rua Nova
Por Petrônio Souto
1. Ocorreu com João Pessoa o mesmo que ocorreu com todas as capitais. A inchação criou vasta periferia, sem infraestrutura, mas muito povoada.
2. Em pouco tempo, a periferia passou a ter mais importância política. Elege e derrota prefeitos, governadores, deputados, vereadores, senadores.
3. Como o grosso do eleitorado mora na periferia, as autoridades, por várias décadas, viraram as costas para o núcleo original da cidade.
4. Esvaziado, sem voz e sem voto, sem poder político para nada, o centro foi sendo passado para trás.
5. De 2004 para cá, se fez muito para a revitalização do centro. Foi feito o que nunca se fez. Só a liberação das ruas, praças e calçadas...
6. Mas, como diz a cronista Clotilde Tavares, é difícil devolver ao centro da cidade a sua alma, o seu clima, a sua atmosfera, o seu charme...
7. Não é exagero dizer que João Pessoa foi agradável até 1964. Depois vieram os conjuntos habitacionais. Com os conjuntos, surgiu outra cidade.
8. Apesar de tudo, esta é a cidade que completa hoje 425 anos. A cidade que me viu nascer e que eu amo tanto.
escrever comentário | ler comentários (1)
Quarta-Feira , 04 de 08 de 2010 às 17:18h
De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Quando escrevem sobre pesquisas, alguns jornalistas mostram não conhecer bem o papel que elas têm hoje nas campanhas políticas. Curioso é que mesmo profissionais tarimbados costumam revelar esse desconhecimento e não apenas os jovens repórteres no início de carreira.
Em momentos iguais a este, de aproximação das eleições, veem-se exemplos disso a toda hora. Como saem pesquisas com muita frequência, a imprensa está sempre cheia de matérias que as citam, nas quais se percebe a desinformação de seus autores sobre o que acontece no quartel-general das candidaturas.
Não são todas as campanhas que conseguem, mas todas que podem montam sistemas de acompanhamento dos humores do eleitorado através de pesquisas. À medida que aumenta a importância do cargo em disputa e sobe a capacidade de arrecadação, maior é o arsenal de pesquisas próprias que mandam realizar, para uso de coordenadores e estrategistas.
Faz tempo que as pesquisas quantitativas de intenção de voto se tornaram apenas o pedaço visível desses projetos, pois eles envolvem inúmeros outros levantamentos cujos resultados não são divulgados ou comentados. Ou seja: o que se vê é somente a ponta de um iceberg, cuja parte maior permanece submersa.
No mundo real das campanhas, grande destaque é dado às pesquisas qualitativas, indispensáveis à formulação de estratégias de comunicação. São elas que permitem entender as razões e motivos dos eleitores, por que preferem um candidato em detrimento de outros, o que esperam da eleição, o que não sabem e gostariam de saber dos candidatos. Os marqueteiros costumam olhá-las com mais interesse que os resultados das quantitativas, cujo objetivo é medir quantos pensam de uma maneira ou de outra, bem como identificar que variações existem entre os segmentos (socioeconômicos ou geográficos) do eleitorado.
As campanhas de Serra e de Dilma estão fazendo pesquisas desde muito antes do lançamento oficial das candidaturas. Seus partidos têm o hábito de pesquisar, possuem institutos que tradicionalmente lhes prestam serviços e contam com especialistas, internos e de fora de seus quadros, para assessorá-los em sua análise. A esta altura do processo eleitoral, já fizeram alguns (muitos) milhares de entrevistas e (várias) dezenas de discussões em grupo, a técnica qualitativa mais empregada. Ambos têm em mãos longas séries de pesquisas em todo o país, estado por estado, sempre usando questionários mais elaborados e detalhados que aqueles que se veem na imprensa. De agora em diante, na reta final, essa massa de dados vai aumentar exponencialmente.
Além da parafernália de pesquisas próprias, as duas campanhas têm acesso a dezenas de outras, feitas por correligionários e aliados nos estados, por entidades de classe e empresas do setor privado. Não deve haver um só dia em que não chegue aos comitês uma pesquisa nova.
Faz algum sentido imaginar que campanhas assim organizadas e tão bem abastecidas tenham que esperar a divulgação de pesquisas públicas para tomar qualquer decisão relevante? Que as equipes de Serra e Dilma fiquem roendo as unhas na frente da televisão para saber quem está na frente e quem atrás? Que só resolvam o que vão fazer depois de ler no jornal o que disse uma pesquisa?
Pelo que escrevem alguns jornalistas, pareceria que sim. Seus textos dizem coisas como “antes da pesquisa do Ibope, Serra ia fazer....”, “agora com o Datafolha, Dilma decidiu....”, o que equivale a supor que os candidatos foram inteirados de algo pela imprensa. Que o vasto investimento de suas campanhas em pesquisas próprias é inútil, pois o que contaria seriam as pesquisas hípicas (as que mostram quais cavalinhos estão na frente) que todos conhecem.
Nas disputas eleitorais, as pesquisas publicadas são irrelevantes como instrumentos de informação estratégica, pois as campanhas grandes (e seus apoiadores) sabem muitíssimo mais que aquilo que chega à imprensa e ao cidadão comum. O que não quer dizer que sejam irrelevantes na guerra da comunicação, pois estar publicamente na frente é melhor que estar atrás e isso pode trazer diversas vantagens a quem lidera.
escrever comentário | sem comentários
Quarta-Feira , 04 de 08 de 2010 às 12:24h
Por Agnaldo Almeida
Vocês já comeram ostras? Pois não sabem como é bom e, ao mesmo tempo, ruim. Quem vive no ostracismo não tem compromissos de atender telefonemas que costumeiramente chegam nas horas mais ingratas. E não os atende.
Vale dizer que, costumeiramente, para quem anda comendo ostras, o telefone não toca. Ou seja: nem o ostracista tem trabalho, nem os hipotéticos amigos deixam de ter uma desculpa - a de não terem sido devidamente atendidos.
Na área do jornalismo, comer ostra é um exercício para profissionais. Profissionais, digamos logo, desempregados. Os políticos, que são pragmáticos, automáticos e, maioria das vezes, só gostam de áulicos, estes são os primeiros a lhe deixar em paz. Afinal, se o sujeito perdeu o espaço de que dispunha, pra que ligar, repassar informações ou puxar conversa? Pra quê?
No jornalismo praticado na Paraíba, estes são os ossos do orifício.
Mas, não percam a calma. No próximo post vou dizer como é bom comer ostra num momento político tão desabonador quanto este. Meu aparelho de telefone está silencioso, em meditação. E hoje pela manhã, abindo uma exceção, me disse: fique também.
Zefinha há pouco me serviu um cafezinho frio, mas eu acho que ela está com a razão, mesmo que o seu emprego não esteja cem por cento em perigo.
escrever comentário | ler comentários (4)
Segunda-Feira , 02 de 08 de 2010 às 08:09h
Por Agnaldo Almeida
Os distintos leitores sabem quanto o Tesouro Nacional arrecadou, de janeiro a maio deste ano, somente com taxas de inscrição para concursos públicos? Não se espantem: foram R$ 75,6 milhões. Matéria publicada na Folha de S. Paulo, edição de hoje, conclui que os concursos são altamente lucrativos e se tornaram uma fonte de receita para a União, Estados e Municípios.
A última seleção para agentes da Polícia Rodoviária Federal (que está suspenso para apuração de suspeita de fraude) retornou R$ 1,7 milhão ao Tesouro, segundo a Fundação Funrio (ligada à Escola de Medicina e Cirurgia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), que aplicou as provas.
Do faturamento de R$ 11,3 milhões, segundo o secretário-executivo da Funrio, Azor José de Lima, 40% voltarão para o governo federal. Outros R$ 3 milhões vão para o treinamento dos aprovados.
O mais interessante é que não há prestação de contas do dinheiro arrecadado. As fundações contratadas para realização desses concursos alegam que são dados sigilosos. Sigilosos por quê? Até para os órgãos de controle, eles são sigilosos? Eu, heim!!!
escrever comentário | ler comentários (1)
Sexta-Feira , 30 de Julho de 2010 às 15:12h
Por Agnaldo Almeida
Cá pra nós, mas as campanhas políticas na Paraíba já foram um pouquinho mais animadas. Não estou nem falando de tão antigamente assim, quando pela capacidade de oratória os candidatos seduziam as multidões e as levavam para memoráveis comícios nas praças públicas.
Estou me referindo a coisa mais recente, da década de 1980 pra cá, quando com bonés, camisetas e bandeirolas as pessoas nas ruas se enfeitavam, nem tanto por amor aos candidatos, mas pelo simples prazer de marcar posição e alardear para todos que também estavam envolvidas na disputa.
Agora não, ficou essa chatice de tudo ser proibido. A justiça eleitoral tomou conta das eleições como não se viu nem mesmo no período do regime militar. É certo que tinha a Lei Falcão mas, pensando bem, ela só impedia os candidatos de conversar besteira na TV e no rádio.
Acho que há um grande equívoco nessa série interminável de proibições. Estão fazendo leis e ditando normas para campanhas políticas da Suécia e da Dinamarca. O Brasil que gosta de copiar tanto os americanos do norte – até a língua portuguesa aos poucos vai se americanizando – bem que poderia copiar um pouco da legislação eleitoral deles.
As coisas por aqui estão ficando tão difíceis para o eleitor que é como se torcer pela vitória de um candidato fosse algo clandestino. Falam tanto que a eleição é uma festa cívica... Festa de quê, se a todo momento pairam sobre as cabeças dos eleitores e dos candidatos as ameaças do judiciário eleitoral?
Os candidatos, estes não podem nem se mexer. Se o comitê de qualquer um deles quiser fazer um panfleto pra soltar nas ruas não pode. É crime. Que crime? Tempo de eleição é tempo de acusação, ora essa! E quem não quer levar paulada, fica em casa, não entra na disputa.
É óbvio que não estou aqui defendendo as práticas ilegais de ninguém. Estou somente registrando que há algo de errado nisso tudo. Depois do povo, a estrela de uma eleição é o candidato. Não pode ser o promotor, o juiz ou coisa que o valha. Estes devem ter um papel secundário, de regulação do processo, de controle dos excessos.
O que está havendo é totalmente diferente. Deixaram a votação, mas proibiram a campanha. Mantiveram o dever de votar, mas sumiram com o direito e a graça da participação popular.
A culpa por esta apatia cívica não cabe exclusivamente ao judiciário, embora existam juízes que neste período se acham mais importantes do que a bala que matou Getúlio. A culpa originária desse clima de quarta-feira de cinzas é dos próprios políticos, que legislam em causa própria e que adorariam poder renovar os seus mandatos sem ter que se submeter ao teste das urnas.
Para estes, e sobretudo para os que estão no poder, quanto menos campanha melhor. Dá menos trabalho e sai mais barato. E o voto chega quase por osmose.
Se é pra ser desse jeito, por que não instituem logo o voto facultativo. Aí, sim, a gente ficaria sem o direito da festa das campanhas, mas também não teria o dever de comparecer às secções eleitorais, enfrentando fila, sol, chuva e aborrecimento.
escrever comentário | sem comentários
Quinta-Feira , 29 de Julho de 2010 às 18:10h
escrever comentário | ler comentários (2)