Terça-Feira , 13 de Abril de 2010 às 19:54h

Os nós da minha rede


Por Aristheu Formiga*

Vivemos uma época de rápidas transformações tecnológicas, operadas sob o signo da digitalização, onde o que era apenas imaginação e sonho 30 anos atrás, hoje se expressa concretamente, numa realidade sempre mutante.

 Estas transformações têm um impacto considerável no nosso cotidiano, principalmente no uso e acesso às tecnologias de comunicação e informação. Os telefones celulares, que eram vendidos no início dos anos 90, pesavam perto de um Kilo e custavam em torno de R$ 3 mil reais a um preço atualizado, enquanto hoje as operadoras de telefonia móvel distribuem aparelhos gratuitamente, conquanto você utilize a linha.

Para mim, vindo da Parahyba e adepto às redes de dormir, nada me espantou tanto como usar a internet, um outro tipo de rede, que me levou a um outro balanço na vida.

 Mediação digital

 A internet possibilitou a comunicação através do computador, onde se pode fazer uma interlocução pessoal, enunciar mensagens para milhões de pessoas indistintamente, saber em tempo real o que ocorre no outro lado do mundo, divertisse vendo filmes, lendo, escutando sons variados.

 Na avaliação da professora Raquel Recuero, em 2008 alguns fenômenos atraiu a atenção de pessoas em todo o mundo: a eleição de Barack Obama foi acompanhada através de artefatos digitais como o Twitter, enquanto em novembro fortes chuvas assolaram Santa Catarina, com rios transbordando e cidades inteiras isoladas, mas onde blogs, Twitter e outras ferramentas de mensagens foram utilizadas para informar o resto do país do que estava acontecendo.

 Ela pergunta: o que esses fenômenos distintos têm em comum? Ela diz que eles representam aquilo que está mudando as formas de organização, identidade, conversação e mobilização social: o advento da comunicação mediada pelo computador.

 Essa mediação, além de comunicação, ampliou a capacidade de conexão e que redes fossem criadas e expressas nesse espaço, as redes sociais mediadas pelo computador.

 Redes sociais

 Desde a revolução da imprensa em 1439, a sociedade não enfrenta uma mudança tão significativa tal pela qual passa hoje. De uma sociedade de registro oral, passamos pela escrita, podemos dialogar e enunciar, como sempre. Mas, ao utilizarmos a comunicação mediada pelo computador, usarmos as redes sociais na internet, as conversações e falas podem permanecer gravadas neste ambiente.

 Na opinião de Recuero, compreender essas redes é entender a apropriação da internet como ferramenta de organização social e informação contemporânea. Torna-se essencial para entender novos valores, fluxos de informação, tendências sociais, onde a ligação dos nós da rede significam um balanço a mais, as múltiplas possibilidades de interação.

*Aristheu Formiga é paraibano, jornalista e mora em Santa Catarina onde é professor universitário.


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Terça-Feira , 13 de Abril de 2010 às 19:35h

Concurso de microcontos


Olha’í: quem tiver vocação para síntese e criatividade para tanto pode participar do concurso instituído pelo Blog do Noblat:
................

Quer ganhar um iPod com uma seleção das músicas da rádio do blog, a Estação Jazz e Tal?
Escreva um conto com até 140 toques.
Os 140 toques incluem os espaços entre as palavras.
As palavras não podem ser abreviadas. Você , por exemplo, não pode virar vc.
Pode inscrever quantos contos queira.
Os contos não devem ter título. E devem ser inéditos.
O tema? Livre. A seu gosto.
Mande os contos para twitterdonoblat@gmail.com
Prazo: até às 23h59 do dia 15 de abril próximo.
Mande seu nome e endereço completos. Não esqueça o CEP.
Anunciarei depois os membros da Comissão Julgadora.
Publicarei no blog os 10 melhores contos.
O primeiro colocado ganhará o iPod.

 Boa sorte.
(O mais famoso microconto do mundo: "Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá". De Augusto Monterroso. Escrito antes do twitter ser inventado.)


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Terça-Feira , 13 de Abril de 2010 às 08:48h

Uma cassação que muda o discurso


Por Agnaldo Almeida

Isso seguramente não é façanha que se deva comemorar, mas o certo é que a cassação do prefeito Veneziano Vital Filho deixa no ar a nítida impressão de que entre a oposição e o governo o jogo está empatado, pelo menos em termos de discurso eleitoral.

Os maranhistas traziam pronto na ponta da língua o argumento de que o ex-prefeito Ricardo Coutinho não deveria nunca, em favor de sua história política, se aliar a um “governador cassado” – e esta era a expressão de que se utilizavam quando se referiam ao ex-governador Cássio Cunha Lima.

 Os petistas que apoiam a reeleição do governador José Maranhão chegavam a fazer disso um cavalo de batalha. Simulando um purismo que já não cabe dentro de sua estrela, onde repousam mensalões, aloprados e dossiês, o PT de Maranhão tentava estabelecer a cassação de Cássio como ponto diferencial entre uma chapa e outra.

 Agora, muda tudo. O companheiro que Maranhão sonhava ter como candidato a vice está destinado, desde ontem, a cumprir a mesma via crucis do seu maior adversário na política campinense. Pela oposição mais radical e engajada, Veneziano já é tratado como o “prefeito cassado”.

 E do ponto de vista da repercussão eleitoral, esta marca independe de futuras decisões que venham a ser tomadas pelas demais instâncias do Poder Judiciário, aonde certamente desembarcarão recursos e mais recursos na tentativa de reverter a sentença prolatada pelo juiz da 16ª Zona Eleitoral de Campina Grande.

Não é impossível que esta decisão provoque outros desdobramentos na campanha que se aproxima. Nas rodas políticas, as especulações não param. Algumas sugerem que os irmãos Veneziano e Vital Filho sairão desde episódio carregando potes de mágoas contra Maranhão. Por que será? Sinceramente não sei.

Mas isso é coisa que só o tempo dirá. Por enquanto, o que já se tem como certo é que, ao contrário do que pensavam os maranhistas, a campanha não se travará nesse terreno de bandeiras – sujas ou limpas.

 Os marqueteiros, de um lado e de outro, vão ter de quebrar a cabeça para encontrar o mote certo. Em casa de enforcados não se vai falar em cordas.


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Sábado , 10 de Abril de 2010 às 22:22h

Yes, o Brasil pode mais!


Por Agnaldo Almeida

Hoje, no lançamento de sua pré-candidatura, o ex-governador Serra antecipou o slogan de sua campanha: O Brasil pode mais.

Acho que é um bom slogan,mas tenho pra mim que é quase uma complementação a outro slogan recentemente vitorioso: aquele que dizia assim - Yes, we can.

Será?

A criação publicitária está cada vez mais globalizada.


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Sábado , 10 de Abril de 2010 às 19:13h

As máximas do Paraíso II




'Fumo maconha, mas não trago, quem traz é um amigo meu' -
Marcelo Anthony.

'O que te engorda não é o que você come entre o Natal e o Ano Novo, mas o que você come entre o Ano Novo e o Natal' - Solange Couto.

'Se o horário oficial é o de Brasília, por que a gente tem que trabalhar na segunda e na sexta?' - Dorival Caymi.

'Para seu marido não acordar com a macaca...
Depile-se' - Cláudia Ohana.

'O homem é um ser tão dependente que até pra ser corno precisa da ajuda da mulher. Pra ser viúvo também' - Principe Charles.

'Por maior que seja o buraco em que você se encontra, pense que, por enquanto, ainda não há terra em cima'
- Dercy Gonçalves.

'Cabelo ruim é igual a bandido... Ou tá preso ou tá armado' - Ronaldinho Gaúcho.

'Preguiçoso é o dono da sauna, que vive do suor dos outros' - Roberto Justus.

'Não me considere o chefe, considere-me apenas um colega de trabalho que sempre tem razão' - Galvão Bueno.

'Malandro é o pato, que já nasce com os dedos colados para não usar aliança' - Zeca Pagodinho.

'Mulher gorda é que nem Ferrari...
Quando sobe na balança vai de zero a cem em um segundo' - Reginaldo Leme.

'Os psiquiatras dizem que uma em cada quatro pessoas tem alguma deficiência mental... Fique de olho em três dos seus amigos. Se eles parecerem normais, retardado é você' - Antônio Palocci.

'Se homossexualismo fosse normal...
Deus teria criado Adão e Ivo' - Gilberto Braga.

'Todo mundo tem cliente. Só traficante e analista de sistemas é que tem usuário' - Bill Gates.

'Mulher de amigo meu é igual a muro alto... ..sei que é perigoso, mas eu trepo' - Chico Buarque.

'Casamento começa em motel e termina em pensão' - Romário.

'Seja legal com seus filhos. São eles que vão escolher seu asilo' - Itamar Franco.

'Antigamente, o homossexualismo era proibido no Brasil. Depois, passou a ser tolerado. Hoje é aceito como coisa normal... Eu vou-me embora antes que se torne obrigatório' - .........

'Passar a mulher pra trás é fácil. O difícil é passar adiante' - Eduardo Suplicy.



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Sexta-Feira , 09 de Abril de 2010 às 16:54h

Desabafo de um bom marido


 
Por Luís Fernando Veríssimo

Minha esposa e eu sempre andamos de mãos dadas. Se eu soltar, ela vai às compras.

Ela tem um liquidificador elétrico, uma torradeira elétrica, e uma máquina de fazer pão elétrica.
Então ela disse: 'Nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar'.
Daí comprei pra ela uma cadeira elétrica.

Eu me casei com a 'Sra. Certa'. Só não sabia que o primeiro nome dela era 'Sempre'.

Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la.
Mas tenho que admitir, a nossa última briga foi culpa minha.
Ela perguntou: 'O que tem na TV?' E eu disse 'Poeira'.

No começo Deus criou o mundo e descansou.
Então, Ele criou o homem e descansou.
Depois, criou a mulher. Desde então, nem Deus, nem o homem, nem o Mundo tiveram mais descanso.

Quando o nosso cortador de grama quebrou, minha mulher ficava sempre me dando a entender que eu deveria consertá-lo. Mas eu sempre acabava tendo outra coisa para cuidar antes, o caminhão, o carro, a pesca, sempre alguma coisa mais importante para mim. Finalmente ela pensou num jeito esperto de me convencer..

 Certo dia, ao chegar em casa, encontrei-a sentada na grama alta, ocupada em podá-la com uma tesourinha de costura. Eu olhei em silêncio por um tempo, me emocionei bastante e depois entrei em casa.

Em alguns minutos eu voltei com uma escova de dente e lhe entreguei..
'- Quando você terminar de cortar a grama,' eu disse, 'você pode também varrer a calçada.'

Depois disso não me lembro de mais nada. Os médicos dizem que eu voltarei a andar, mas mancarei pelo resto da vida'.

'O casamento é uma relação entre duas pessoas na qual uma está sempre certa e a outra é o marido...


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Sexta-Feira , 09 de Abril de 2010 às 05:46h

No céu sem morrer


Por Petrônio Souto

Outro dia, no centro da cidade, procurando me proteger de um pé d´água daqueles, fui forçado a ouvir a pregação de um desses pastores de beira de esquina. Com certeza, o camarada era um caso para fundir a cuca do velho Sigmund Freud. Veja só: o sujeito, de cara, dando socos no vento, responsabilizava a mulher por tudo de ruim que está acontecendo. O ódio do cidadão extrapolava todos os limites. Eu, que contribuí com a providência divina para colocar neste mundo quatro adoráveis filhas de Eva, fiquei chocado com a prédica do “homem de Deus”. Santo Deus!

Entre outros desvarios, o sujeito, com a Bíblia na mão, dizia que “a mulher nasceu de uma costela do homem. Portanto, a mulher não tem cabeça. A cabeça da mulher é a cabeça do homem”. E aproveitava para dar um aviso às aspirantes a pastora: “Na minha igreja, mulher não faz pregação. Mulher é para ficar sentada ouvindo o que o homem diz. A missão da mulher, da boa mulher, é ser escrava do seu marido, dos seus filhos e da sua igreja”. No final, o de sempre: “O mundo está de cabeça para baixo porque a serpente (a mulher, no caso) está mandando em tudo”.

Olha, precisamos criar urgentemente a secretaria especial da religião. Se não der uma secretaria ou mesmo um ministério, uma curadoria serve. Afinal, aqui no Brasil, parece que as coisas só começam a ser corrigidas com a criação de uma repartição pública ou de algum conselho de notáveis. Claro que a generalização é quase sempre injusta com os bons, mas essa história de religião, aqui na Terra de Santa Cruz, está virando lupanar, como diria o saudoso Enoque Pelágio. Qualquer maluco, se dizendo enviado ou confidente de Deus, está fundando uma Igreja e espalhando maluquice pra tudo quanto é lado.

A intervenção do Estado é uma necessidade urgente, pelo simples fato de que, com a mais absoluta certeza, a proliferação dessas seitas está aumentando assustadoramente a despesa do SUS. E nós mortais, que bancamos o SUS, vamos parar aonde? Nas profundezas do inferno, sem dúvida nenhuma. Seitas evangélicas que se proliferam como coelhos, em termos de onipresença, estão ameaçando o próprio Deus Pai Todo Poderoso. Os caras estão em todas. É flórida.

Meu amigo, não é sem razão que Marx, talvez prevendo absurdos dessa natureza, tenha dito que “a miséria religiosa é, por um lado, a expressão da miséria real e, por outra, o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura angustiada, o estado de alma de um mundo desalmado, porque é o espírito dos estados de alma carentes de espírito. A religião é o ópio do povo”. Aí, como sempre, a canalhice geral se encarregou de distorcer o pensamento correto do filósofo, divulgando intensamente apenas o final da frase.

Nada de agnosticismo ou comunismo, mas, sei não, esse negócio de jogador de futebol, com a partida em andamento, agradecer a Deus pelo “frango” do goleiro adversário; essa história de time inteiro rezando no meio do gramado, diante das câmeras de TV, depois de garantir o “bicho” do campeonato; essa coisa de político enrolão querendo vaga na bancada evangélica atrás de verbas do orçamento e de pastor prometendo cura e sucesso na vida em troca de generosas doações, me fazem desconfiar de que tem muita gente esperta querendo entrar no céu sem morrer.


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Quinta-Feira , 08 de Abril de 2010 às 19:19h

Sempre na lei da vantagem


Por Agnaldo Almeida

 Antigamente, se dizia assim: é dando que se recebe. Na seara política isto queria significar o que todos já sabem. Alguém faz um favor a outrem e, pela lei de Newton, recebe um benefício igual e de mesma intensidade.

 Quando a política adotou esta lei da física, não se sabe. Vem de muito tempo. O que se sabe é que nos últimos anos ela tem sido avacalhada. Não é mais o simples “é dando que se recebe”, não é mais aquela máxima, segundo a qual “a cada ação corresponde uma reação, igual e em sentido contrário”.

 O que agora se adota como padrão de comportamento político é muito mais imoral. O sentido da lei de Newton foi para a cucuia; o que vale hoje é o seguinte: se não me der apoio, benesses e coisas do gênero, eu rompo!

 Na política da Paraíba, o PTB foi o partido que mais rapidamente aprendeu este novo axioma. Na expectativa de receber “sensibilidades” do ex-prefeito Ricardo Coutinho, a legenda propagou seu nome pelos quatro cantos do estado, dizendo tratar-se da melhor renovação política que se apresentava na política paraibana.

 Quando percebeu que não estava recebendo as tais “sensibilidades” que requeria, os dirigentes trabalhistas, tomaram outro destino. Foram desembarcar no Palácio da Redenção, em conversas reservadas com o governador José Maranhão, que não se fez de rogado. Para afastá-los de Ricardo, prometeu o mundo e mais um pouco.

 Citou-se este caso do PTB como exemplo mais explícito, embora esteja longe de ser o único. Ao contrário, os trabalhistas agem da mesma maneira que os outros partidos. PSDB, DEM, PMDB, PSB, PT e mais outros que por aí existem não podem dizer que desta água ainda não beberam.

 Não está claro se o defeito moral é das legendas ou inato à natureza da política brasileira. À esquerda e à direita, é assim que os partidos funcionam. É sempre na base do “é dando que se recebe”. Ou, pior ainda, na base do “ se não me der, eu rompo”.

 Para o cidadão comum, para o eleitor anônimo, é bom que fique claro: este verbo “dar”, presente nas duas alternativas, significa dinheiro público. Verbas do erário.

Portanto, quando o distinto leitor ouvir um desses líderes partidários fazendo piruetas verbais para justificar mudanças de posições políticas ponha as barbas de molho. Eles não estão interessados em nada disso. É na bufunfa que estão de olho.

 Ou seja, nas tais “sensibilidades” não republicanas.


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Domingo , 04 de Abril de 2010 às 11:00h

Outra história



Por Petrônio Souto

Volta e meia me pedem para falar sobre a campanha de 86, aquela em que Burity deu um banho de votos em Marcondes Gadelha, na disputa pelo governo do Estado. Na época, aqui na Capital, só existiam três emissoras de ondas médias (Tabajara, Arapuan e Correio) e duas de freqüência modulada (Arapuan e Correio). As FMs adotavam a linha “vitrolão”, somente música e notícias curtas, quase telegráficas. O quente ainda eram as AMs. Segundo avaliações trimestrais do Ibope, Arapuan AM e Correio AM disputavam palmo a palmo a liderança da audiência e talvez por isso acabaram protagonizando a guerra de propaganda da campanha.

Dirigida pelo jornalista Aluísio Moura (que anos antes rompera com Marconi Góes e se afastara dos Diários Associados), a Arapuan pertencia aos irmãos Antônio e Milton Cabral. Milton viria a cumprir mandato-tampão de governador completando o tempo de Wilson Braga, que deixara o cargo para se candidatar ao senado na chapa de Marcondes Gadelha. Quem conhece a Paraíba, sabe muito bem que seria inevitável o envolvimento dos dois grupos de comunicação na disputa política.

Eu apresentava dois programas diários na rádio Arapuan AM, na realidade duas vitrines da emissora --o “João Pessoa, Bom Dia” (segunda-sábado, das 5 às 8 da manhã) e o “Jogo Aberto” (segunda-sexta, do meio-dia às 2 da tarde), este batendo de frente com o programa de Luís Otávio, carro-chefe da programação do Sistema Correio. Foi assim que, como o Repórter Esso, acabei sendo testemunha ocular da história.

Para começo de conversa, não se pode negar que o ex-governador Tarcísio Burity teve boa atuação no primeiro mandato e já era um candidato forte em todas as regiões do Estado, o que ficou provado na disputa interna com o senador Humberto Lucena para definição do nome do PMDB ao governo. O próprio Humberto Lucena, político experiente, caindo na real, desistiu da postulação, mesmo não escondendo de ninguém que seu grande sonho era governar a Paraíba. Não seria exagero dizer que Burity naquele momento era a personificação da vontade popular.

Outro ponto importante: O PMDB era oposição na Paraíba, mas, com a instalação da malfadada Nova República, deitava e rolava no plano federal. Seus seguidores na Paraíba, diferentemente dos militantes do velho MDB, que eram tratados a pão e água pelo regime militar, recebiam todas as benesses do governo Sarney, controlavam os órgãos federais, demitiam e nomeavam, direcionavam verbas orçamentárias, enfim, tinham todo o apoio logístico de Brasília para encarar o enfraquecido poder local. O PMDB de 86 não era uma oposição de mãos vazias.

Não se pode falar na campanha de 86 sem fazer referência ao Plano Cruzado. O Plano Cruzado, o da inflação zero por decreto, lançado bombasticamente naquele ano pelo presidente Sarney, por sugestão do seu genro Jorge Murad, funcionou em todos os estados como uma espécie de anabolizante em favor dos candidatos do PMDB. Foi – e a história se encarregou de comprovar, um dos maiores estelionatos eleitorais de que se tem notícia na história recente do Brasil, esquema tão eficaz para garantir a vitória dos candidatos do PMDB aos governos estaduais, em 86, como foi o Plano Real para assegurar, um pouco mais tarde, as duas vitórias de FHC sobre Lula.

Marcondes Gadelha não era um qualquer. Político com verniz intelectual, viajado, ainda jovem, bom orador, figura de projeção nacional por ter sido do grupo autêntico do MDB, surgia levantando as bandeiras de modernização do Estado (adotou o slogan “Juventude e Modernização”), aumento dos controles sociais sobre a máquina pública e até ousava dar os primeiros toques num tema que ainda era um verdadeiro tabu: privatização. Em matéria de discurso, Marcondes era realmente a novidade. Até a música de campanha, Vamos que vamos, vídeoclipe que se tornou muito popular, era um rock do grupo Absyntho, banda liderada pelo vocalista Silvinho Blau Blau que estava na crista da onda.

Acontece que Marcondes estava atrelado ao que havia de mais velho na política paraibana: o braguismo. Mesmo com o sucesso do Projeto Canaã e o assistencialismo da Funsat, era visível o desgaste do braguismo. Os escândalos, sempre vistos com lentes de aumento pela oposição, ganhavam facilmente as manchetes e muitas vezes não tinham sequer resposta do governo. Essa situação fez de Marcondes um pássaro sem asas. Ele não conseguia decolar.

Por mais que Gadelha procurasse fazer uma campanha descolada do braguismo, buscando minimizar suas contradições, o fato de receber apoio aberto e decidido desse grupo, inclusive com a máquina do Estado trabalhando a todo vapor, colocava Marcondes na alça de mira do Sistema Correio, arquiinimigo do ex-governador Wilson Braga, por razões que toda a Paraíba conhece.

Para não ir muito longe, tínhamos, em 1986, Tarcísio Burity, administrador testado e aprovado no primeiro mandato, líder absoluto na preferência popular, turbinado pela onda avassaladora do Plano Cruzado, ou seja, produto perfeito e acabado, contra um Marcondes Gadelha que era a contradição em pessoa, no mínimo, uma formidável interrogação.

Nenhuma máquina administrativa, por mais azeitada que seja, pode obrar milagre numa campanha já definida. Nem a Casa da Moeda, bancando tudo do outro lado, tiraria a vitória de Burity. O eleitor já havia feito a sua escolha e estava diante de uma questão simples: trocar o certo pelo duvidoso. Ficou com o que naquele instante achava que era o certo.

Numa análise desapaixonada, não se pode comparar aquela situação com a disputa entre José Maranhão e Ricardo Coutinho. Ricardo fez uma excelente administração na capital do estado, possui considerável densidade eleitoral, sobretudo na chamada grande João Pessoa, mas Maranhão, embora não tendo a popularidade do Burity daquela época, lidera um governo que não sofre o desgaste do braguismo nem tem a oposição implacável do Sistema Correio, o maior partido político da Paraíba.

A grande verdade é que já se passaram 24 anos. Os tempos são outros. A Paraíba é outra. O eleitorado é outro. As mulheres e os jovens, por exemplo, estiveram praticamente ausentes das eleições daquele ano. Hoje, ao contrário, são forças decisivas para a vitória de qualquer candidato. Outra coisa: em 1986 não havia os recursos da tecnologia da informação que se tem hoje. Naquele tempo, essas ferramentas que possibilitam a comunicação instantânea de um único indivíduo com toda a sociedade, só eram vistas nos livros de ficção científica, quase todos em língua inglesa.

A cidade não tinha sequer uma emissora de televisão. A TV Cabo Branco estava em fase de instalação, iniciando suas transmissões já bem pertinho do pleito como afiliada da Bandeirantes, só mudando para a Rede Globo em janeiro de 87. O guia eleitoral era gerado em canais de tv da cidade do Recife, sintonizados precariamente em João Pessoa. A Lei Eleitoral era uma figura geométrica e a própria Justiça Eleitoral, com todo o respeito aos seus antigos membros, não tinha a eficiência de hoje. Enfim, 86 era outra realidade, outra história. Não dá para comparar.


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Domingo , 04 de Abril de 2010 às 08:22h

Entre aspas


"O melhor lugar para se esconder uma agulha não é o palheiro. É o agulheiro". (Braúlio Tavares)

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Sábado , 03 de Abril de 2010 às 09:44h

Nota dez ao Contraponto


Por Agnaldo Almeida

Alguém há de pensar que é propaganda, mas não é: o melhor jornal  impresso da Paraíba é, de longe, o Contraponto, dirigido por João Manoel de Carvalho e editado por Duda, companheiro de velhas batalhas.

Aliás, se quiserem pensar que é propaganda, pouco me importa. Não tenho a menor preocupação com as opiniões alheias. Agora, quem duvidar, pegue um exemplar - vale qualquer um - e faça uma análise crítica.

Sob o ponto de vista político local, o jornal é independente, muitas vezes briga com deus e o mundo, mas sempre com base em fatos verdadeiros. E é isso que faz um jornal ser independente.

Em relação à política nacional, o Contraponto é pra lá de simpático ao presidente Lula. De orientação nacionalista, padece, na minha opinião,  do defeito de achar que tudo o que é norte-americano é ruim.

Na área cultural, o jornal dá um tratamento editorial muito melhor do que os diários paraibanos. Acho que a editoria cultural é de Ricardo Anísio, que sabe das coisas.

Pra terminar, o corpo de colunistas do jornal é de primeira. Alguns artigos são imensos, mas absolutamente pertinentes. É admirável o esforço de João Mamão para manter o nível de sua publicação. Mais admirável ainda é que exista um jornal como este na Paraíba.

Parabéns! Há tempos já devia ter feito este comentário. Mas, uma coisa e outra e o assunto foi ficando pra depois. Pois, taí: sou fã de carteirinha do Contraponto.

João e toda a sua equipe merecem nota dez.


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Sexta-Feira , 02 de Abril de 2010 às 11:05h

Para uma boa alimentação


Enviado por José Virgulino de Alencar

Repasso essa matéria contendo orientação nutricional para uma boa alimentação.

A matéria, mesmo não sendo de sua autoria, foi colocada por meu filho, Leopoldo José Macedo de Alencar, recém-formado em Nutrição, já cursando Especialização, exercendo a profissão dentro das características do nutricionismo moderno.

Ele não aceita ser profissional do "regime para emagrecer", mas da composição de alimentos, formando uma "dieta" em bases médicas, que ofereça boas condições de vida e de saúde, protegendo os órgãos vitais da pessoa, evitando a obesidade e suas consequências.

É um novo paradigma da área nutricionista, com nova visão sobre a vida e a saúde.

Virgolino

**********

Como alguns alimentos podem prevenir o câncer?

A relação da dieta e do estado nutricional com o risco de desenvolvimento de câncer tem sido o maior foco das pesquisas em saúde pública. A dieta representa o papel principal na etiologia e prevenção do câncer.

 Curiosamente, vários estudos têm demonstrado que o câncer é, em grande parte, uma doença evitável, e que sua incidência pode ser substancialmente reduzida com modificações dietéticas. Abaixo estão listados alguns alimentos que possuem efeitos anticancerígenos.

 Alho

Desde a antiguidade, o alho (Allium sativum) é utilizado por suas qualidades medicinais. De fato, esta planta possui efeitos benéficos em diversas doenças, incluindo câncer, doenças coronarianas, obesidade, hipercolesterolemia, diabetes tipo 1 e 2, hipertensão, catarata e algumas desordens gastrintestinais. Vários estudos vêm demonstrando a redução do risco de diferentes tipos de câncer devido ao consumo de alho.

 O alho fresco contém vários compostos organossulfurados, elementos traço de origem fenólica e esteróide, além de carboidratos, proteínas e fibras alimentares. Os compostos organossulfurados do alho são considerados agentes quimioprotetores do câncer, pois podem causar uma suspensão da proliferação das células cancerosas e induzir a apoptose (morte celular programada).

 Feno-grego

 O feno-grego, ou alforva (Trigonella foenum graecum), é tradicionalmente utilizado para tratar diabetes, hipercolesterolemia, ferimentos, inflamações e doenças gastrintestinais. O extrato destas sementes inibe o crescimento tumoral e também produz um significativo efeito anti-inflamatório.

Além disso, em experimentos feitos com animais, a inclusão do pó das sementes de feno-grego na dieta reduziu a incidência de tumores no cólon, diminuiu a peroxidação lipídica e aumentou as atividades enzimáticas do sistema antioxidante.

 As sementes de feno-grego são fonte rica em fibras e saponina. Diversos estudos in vivo e in vitro observaram efeitos antiproliferativos das saponinas sobre diferentes tipos de células cancerosas.

 Chá verde

As propriedades benéficas do chá verde são basicamente provenientes dos polifenóis (classificados como catequinas) e sua potente ação antioxidante.

 O chá verde contém seis compostos de catequinas principais: catequina, galocatequina, epicatequina, epigalocatequina, galato epicatequina e galato de epigalocatequina (conhecido como EGCG). A bebida também contém alcalóides, como a cafeína, teobromina e teofilina, que conferem ao chá verde efeitos estimulantes.

O EGCG é o polifenol mais estudado por ser um potente antioxidante e protetor das células e do DNA contra os radicais livres. Seus benefícios conferem proteção contra o câncer, aterosclerose, obesidade, doenças cardiovasculares e neurodegenerativas.

 Soja

 O grão de soja é rico em proteínas de alto valor biológico (aproximadamente 50% do grão), isoflavonas, saponinas, fitoesteróis, ácido fítico, fosfolipídios, ácido ascórbico, minerais e fibras alimentares. Em experimentos realizados com animais, foi observado que as isoflavonas da soja melhoraram a sensibilidade à insulina por diminuírem a deposição de gordura visceral e inflamações, além de poderem reduzir os níveis de colesterol plasmático.

 Além disso, resultados de diferentes pesquisas sugerem que a proteína da soja pode reduzir a massa gorda em casos de obesidade.

 O consumo de soja está sendo associado com diminuição do risco do desenvolvimento do câncer de mama, próstata e cólon. Ambas, proteína da soja e isoflavonas, têm revelado diferentes efeitos anticancerígenos, como atividade anti-angiogênica, apoptose celular e modulação da progressão do ciclo celular.

 Momordica

 A momordica (bitter melon, em inglês, ou melãozinho, como é mais conhecido) contém algumas substâncias (glicosídeos, alcalóides, derivados do ácido linolênico conjugado e proteínas) que fazem com que o seu extrato apresente efeitos comparáveis à ação dos hipoglicemiantes orais, como metformina e tiazolidinadiona. Estudos observaram que o melãozinho é capaz de inibir a hipertrofia dos adipócitos, reduzir a adiposidade, diminuir a concentração sanguínea de glicose, colesterol e triglicérides, melhorar a sensibilidade à insulina e aumento da concentração sérica de adiponectina.

 O ácido linolênico, presente no óleo das sementes do melãozinho, pode regular e induzir a apoptose em células do câncer de cólon e as proteínas têm demonstrado poder de inibir o crescimento de células do câncer de mama in vitro e in vivo. Em experimentos com animais, o extrato do melãozinho inibiu o desenvolvimento do câncer de pele, de mama e de cólon.
Peixe

 Muita atenção tem sido dada aos efeitos benéficos do óleo de peixe, rico em ácidos graxos poliinsaturados ômega-3, e do óleo de oliva, rico em ácidos graxos monoinsaturados, como o ácido oléico.

Os componentes protetores dos peixes são os ácidos graxos de cadeia longa, ácido eicosapentaenóico (EPA) e ácido docosahexaenóico (DHA), juntamente com as proteínas, vitaminas e minerais. Por outro lado, existe a preocupação sobre os riscos à saúde devido às contaminações ambientais possivelmente encontradas nos peixes. Contudo, evidências epidemiológicas estabeleceram que a ingestão de óleo de peixe promove efeitos protetores em diversas desordens, como doenças cardiovasculares e câncer.

 Por meio de alguns mecanismos, os ácidos graxos ômega-3 podem modificar o processo carcinogênico, o que inclui supressão do ácido araquidônico, influências na expressão dos genes, alteração do metabolismo do estrógeno, efeitos contra radicais livres e envolvimento na sensibilidade à insulina. Ademais, é comprovado que o óleo de peixe possui efeitos antiobesidade e pode reduzir inflamações

Leopoldo Alencar
Nutricionista
CRN – 7777/P


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Sexta-Feira , 02 de Abril de 2010 às 10:54h

As diferenças, segundo o Paraíso


O bom, o ruim e o terrível!

BOM : Sua esposa está grávida.
RUIM : São trigêmeos.
TERRÍVEL : Você fez vasectomia ano passado e não contou prá ninguém.

BOM : Sua esposa não fala mais com você.
RUIM : Ela quer o divórcio.
TERRÍVEL : Ela é advogada.

BOM: Seu filho passou da puberdade.
RUIM: Ele está envolvido com a vizinha da frente.
TERRÍVEL: Você também está.


BOM : Seu marido entende de moda feminina.
RUIM: Usa a sua roupa.
TERRÍVEL: Fica melhor nele que em você.

BOM : Você decide dar aula de educação sexual para a sua filha.
RUIM : Ela te interrompe várias vezes.
TERRÍVEL: Corrigindo você.

BOM: Sua filha arranjou seu primeiro emprego.
RUIM: De prostituta.
TERRÍVEL: Seus colegas do futebol e do trabalho estão todos ficando clientes dela.
MAIS TERRÍVEL AINDA : Ela está ganhando 10 vezes mais que você e disse que vai reformar a casa e te dar um carro novo.

BOM: Você arranjou uma gata quente para bater papo via CHAT... Começou no erótico, partiu pra sacanagem e descambou para a ########### pura.
RUIM: não agüentando de tesão você resolve se revelar. Ela responde que conhece você muito bem e que não vai dar para continuar porque você não passa de um grande canalha e, ainda por cima, vai contar para a sua mulher! TERRÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍVEL: Era sua sogra.

MORAL DA HISTÓRIA:
Tá ruim? Não reclama... Aprenda a sorrir de seus problemas e não terá razões para deixar de sorrir!
Loucura é fazermos sempre as mesmas coisas e esperarmos por resultados diferentes!
Lembre-se que um dia você já foi o espermatozóide mais esperto da turma!!! 





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Sexta-Feira , 02 de Abril de 2010 às 10:40h

Uma "leitura" diferente


Os fatos políticos podem ser intepretados de várias maneiras. Hoje pela manhã, caminhando na praia, um ricardista comentava o seguinte, a propósito da decisão de Veneziano Vital Flho de não integrar a chapa majoritária do PMDB ao lado do governador Maranhão:

- Ora, se o prefeito disse que 70 por cento do eleitorado campinense ficou contra a sua saída da prefeitura, isto também significa que os mesmos 70 por cento se posicionaram contra a presença dele na chapa para o governo. Ou ainda, enfatizou, isto quer dizer que 70 por cento dos campinenses entrevistados não querem que Vené se vincule eleitoralmente a Maranhão neste momento.

Pensando bem, faz sentido.


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Quinta-Feira , 01 de Abril de 2010 às 08:28h

Cadê os "Direitos Humanos"?


Por Agnaldo Almeida

Vi nos jornais que o governador José Maranhão esteve com os familiares do PM Joelton que corre o risco de ficar paraplégico por conta dos tiros que recebeu durante a operação policial ocorrida no Cabo Branco.

O governador foi prestar solidariedade ´`a família do militar e fê-lo muito bem. Espera-se que daqui até o final do ano representantes dos direitos humanos também façam a mesma coisa.

E um lenga-lenga antigo, mas é forçoso repetir: policiais também merecem a atenção dos humanistas. Direitos humanos não podem ser um benefício exclusivo para bandidos.


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