Quarta-Feira , 31 de Março de 2010 às 19:36h

Tragicômico


Enviado por Petrônio Souto

Um grupo de amigos na idade de 40 anos discutia onde
deveriam jantar. Finalmente, concordaram que seria no Café Ritz, porque as garçonetes eram boazudas.

Dez anos depois, aos 50 anos de idade, o grupo se encontra novamente e começa a discussão sobre onde jantar. Finalmente, concordaram que seria no Café Ritz, porque a comida é muito boa e a seleção de vinhos é excelente.

Dez anos depois, aos 60 anos, o grupo se encontra e outra vez repete-se a discussão de onde jantar. Enfim, decidiram optar pelo Café Ritz, porque podem comer tranquilamente e lá é proibido fumar.

Dez anos depois, na idade de 70 anos, o grupo mais uma vez se encontra. Discutem e discutem onde deveriam jantar e, então, resolvem que seria no Café Ritz, porque o restaurante tem acesso a cadeira de rodas e até tem elevador.

Dez anos depois, aos 80 anos de idade, o grupo encontra-se novamente e mais uma vez discutem e discutem onde deveriam jantar. Finalmente, concordaram que seria no Café Ritz porque, assim, iriam experimentar um restaurante onde nunca comeram antes.

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Quarta-Feira , 31 de Março de 2010 às 16:56h

Uma decisão inteligente


Por Agnaldo Almeida

Exceção feita a Jânio Quadros, que certo dia tomou uma cana e jogou a presidência da República pelos ares, na política brasileira ninguém renuncia a coisa alguma. Ao contrário, o apetite dos nossos representantes por cargos públicos é insaciável. Querem sempre mais e só em situações especialíssimas é que admitem largar o osso.

 Na manhã de hoje, indiferente aos muxoxos do governador José Maranhão, o prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital Filho, anunciou que não emprestará seu nome à composição da chapa peemedebista para as eleições de outubro. Aparentemente, renunciou a um projeto político. Mas só aparentemente. Na verdade, deu início a outro.

 O SONHO DOS SONHOS

Ter o nome de Veneziano na chapa majoritária era o sonho dos sonhos de Maranhão. Durante os três últimos meses, ele acalentou esta composição sem se incomodar com o desprestígio que isto representava para o PT, outra legenda política importante que faz parte do seu arco de alianças.

 Vené foi tratado como um biscuit, uma fina peça de porcelana que se põe no centro da sala, cercada de todos os cuidados para não quebrar. Assim como se faz com uma joia rara, Maranhão queria exibi-lo como troféu ao eleitorado de Campina Grande, numa espécie de contraponto aos adversários políticos da cidade.

 OUTROS PLANOS

 Não deu. Os “venezianos” – inclua-se agora d. Nilda, a mãe, e Vitalzinho, o irmão deputado – têm outros planos. Estão todos olhando para 2014, com breve passagem por 2012. E nesses planos Maranhão não entra, a não ser na condição de mais um – apenas mais um – entre os muitos aliados que pretendem arregimentar daqui até lá.

 Não há dúvidas de que vão trabalhar para a reeleição do governador. Para eles, este será um dos resultados eleitorais que mais interessa, mas está longe de ser o único. As vitórias de Vital Filho para o Senado e de d. Nildinha para a Câmara Federal passam a ser desde agora os principais objetivos políticos do tradicional grupo político de Campina Grande.

 CALCULOU MAL

 Maranhão é tido e havido como uma raposa política. E, convenhamos, ao longo de sua trajetória tem revelado suficiente capacidade para enfrentar os desafios que lhe surgem pela frente. No entanto, em relação aos “venezianos”, ele calculou mal.

 Achou que o “mimo” da vice-governadoria seria suficiente e bastante para politicamente abastecer o grupo. Ledo engano. Veneziano é hoje uma figura política no Estado com direito a sonhar mais alto. E por mais de uma vez ele já deixou claro que não sonha só. Sonha junto com a mãe e o irmão, outros parentes, os amigos e uma boa parcela do eleitorado de Campina.

 Uma vice-governadoria não seria o bastante. Como não foi. E este foi o ponto que Maranhão, apesar de sua reconhecida sagacidade, não pôde compreender. Para um político jovem e ativo como Veneziano, o cargo de vice-governador é quase um túmulo.

 A ESTRADA DE 2014

 Se, como dizem alguns, este posto seria uma boa plataforma para a disputa eleitoral de 2014, por que não tentar asfaltar esta estrada elegendo um senador e uma deputada federal?

 Os “venezianos” foram extremamente inteligentes. E leais. O fato de não aceitarem a vice não quer dizer que tenham menosprezado o oferecimento do governador. Nem que o tenham deixado a pé. Quer dizer, tão somente, que o projeto deles de chegar ao Palácio da Redenção, em 2014, não está irremediavelmente vinculado à sucessão estadual de 2010. Maranhão ganhando ou perdendo, o projeto continuará.

 Foi só por isso que Veneziano não colou, agora, o nome dele ao de Maranhão. Foi só por isso que não emprestou o seu nome à chapa.



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Quarta-Feira , 31 de Março de 2010 às 11:14h

Entre aspas


Esta veio direto do Paraíso:

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Terça-Feira , 30 de Março de 2010 às 04:06h

Alô, aqui é Armando Nogueira...


Do blog de Marcondes Brito

Na década de 80, eu apresentava um programa esportivo semanal na Radiobras, em Brasília, quando recebi um inusitado telefonema:

- Bom dia, meu nome é Armando Nogueira, e gostaria de pedir um espaço no seu programa para anunciar o lançamento do meu livro em Brasília.
Parecia um trote, tinha tudo para ser um trote. Armando Nogueira, ex-diretor de jornalismo da Rede Globo, um ícone da imprensa esportiva brasileira? Não podia ser verdade.

 Mas era ele mesmo. Brasília, naquela época, não tinha muito espaço para programas esportivos na TV. Salvo engano, era o único com mais de 30 minutos de duração. Até me refazer do susto e me certificar que se tratava mesmo do grande Armando Nogueira, combinamos a entrevista para dalí a 15 dias. A assessoria dele me mandou um exemplar do livro, que devorei de um dia pro outro.

 Havia quase um capítulo inteiro dedicado a Nilton Santos, que morava em Brasília e dava aulas de futebol numa escolhinha do GDF (Governo do Distrito Federal). Sem combinar nada com o entrevistado, pedi à produção que, no dia e hora marcados, deixasse Nilton escondido nos bastidores para fazer-lhe uma surpresa.

 No meio da nossa conversa, quando naturalmente o assunto era a “Enciclopédia”, Nilton entrou no studio e quebrou totalmente o ritmo da entrevista.

Era visível a alegria de Armando. Ele tinha por Nilton Santos uma admiração incontida.

 - Estava assistindo em casa e vi você falando muito bem de mim, Armando. Então vim aqui pra te dar um abraço… - disse Nilton.

 Foi uma das melhores entrevistas que consegui fazer naquele programa. E, ao final do trabalho, Armando soltou esta:

 - Vocês são dois cascateiros. Como é que Nilton viu a entrevista em casa se o programa é gravado e só vai pro ar amanhã?

 De fato, Nilton Santos, que hoje mora no Rio de Janeiro, além de “Enciclopédia do Futebol”, é também um bom ator. Representou direitinho.

 * Minha homenagem ao mestre Armando Nogueira, que morreu hoje, de câncer, aos 83 anos.


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Segunda-Feira , 29 de Março de 2010 às 10:39h

Morre o poeta do futebol


Por Agnaldo Almeida

Morreu Armando Nogueira. Um dos mais completos jornalistas do Brasil, desde os anos 1950. Era o grande poeta do futebol, mas era, muito além disso, um profissional aberto para as novas tecnologias da comunicação.

Criou o Jornal Nacional da Globo, comandou a equipe de redação de vários jornais do Rio de Janeiro e era, sobretudo, uma grande figura humana. Foi vítima de um câncer no cérebro.

Quero escrever alguma coisa sobre ele, mas hoje o dia está complicado: tenho entrevista na TV, coluna para o PolíticaPB e os meus horários de reflexão - dos quais não abro mão por coisa alguma, nem por dinheiro.

Fiquei muito triste com a morte de Armando. Mas ele não perdeu a vida: o Brasil perdeu um craque do jornalismo, do pensamento humanista e da revolução que ele, com a sua simpatia, implantou na imprensa nacional.

Bola pra frente, Armando!


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Domingo , 28 de Março de 2010 às 07:49h

Imperdoável


Trecho de editorial da Folha de S. Paulo de hoje, sob o título “Imperdoável”, a respeito dos casos de pedofilia envolvendo padres da Igreja Católica em várias partes do mundo:

 Lançar luz sobre casos de pedofilia e exigir sua punição nada tem a ver com preconceito anticlerical ou com algum tipo de campanha contra a igreja -como afirmou, tipicamente, a imprensa oficial do Vaticano.

 De uma perspectiva leiga, moderna e democrática, nenhuma instituição, por mais veneranda que seja, está a salvo da investigação e do julgamento público; ainda mais quando se acumulam indícios de que sua autoridade e prestígio facilitam a realização, a continuidade e o acobertamento de atos da mais pura infâmia.


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Sexta-Feira , 26 de Março de 2010 às 08:10h

Homenagem ao Poeta


Soberania

 
                                                    Manoel de Barros


Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que
tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo
do vento escorregava muito e eu não consegui
pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso
carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos
deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado
e disse que eu tivera um vareio da imaginação.

 Mas que esses vareios acabariam com os estudos.
E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li
alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio.

 E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria
das idéias e da razão pura. Especulei filósofos
e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande
saber. Achei que os eruditos nas suas altas
abstrações se esqueciam das coisas simples da
terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo
— o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase:
A imaginação é mais importante do que o saber.

 Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei
um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu
olho começou a ver de novo as pobres coisas do
chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas.

 E meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam
o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no
corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas
podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as
próprias asas. E vi que o homem não tem soberania
nem pra ser um bentevi.

Texto extraído do livro (caixinha) "Memórias Inventadas - A Terceira Infância", Editora Planeta - São Paulo, 2008.


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Quinta-Feira , 25 de Março de 2010 às 18:18h

Viver faz mal à saúde


Por Agnaldo Almeida

Pertinho dos sessenta anos, estou cada vez mais impressionado com as coisas que não consegui aprender. A primeira delas é que não estou chegando aos 60 com a serenidade que sempre anunciaram ser própria desta idade.

 Continuo do mesmo jeito: irritadiço como sempre fui, generoso em ocasiões especiais e confiante – extremamente confiante de que no fim tudo dará certo, se não deu, é porque não chegou ainda ao fim.

Lembro do meu pai, do velho avô, e quando os vejo pelos olhos da memória são todos velhos. Mesmo quando tinham apenas sessenta anos, já eram todos velhos.

 Serei eu um velho que não sabe reconhecer os sinais da velhice? Não, não é isso o que vocês estão pensando: não sou aquele velho enxerido, que a todos incomoda e a si mesmo se ridiculariza. Tenho os meus recatos e as minhas muralhas de contenção. Sou um velho medíocre – poderão dizer – mas não um velho ridículo.

Mas, voltando um pouco: sou velho? Não sei, sei que novo não sou. Não tenho mais aquele fogo dos vinte anos, a tesão dos vinte e cinco e muito menos o desejo de construir um patrimônio tão comum nas pessoas de quarenta.

O que sou, então?

 Velho, não me sinto; novo não sou. Serei o quê?

 Seria eu a fórmula perfeita da imperfeição? Ou seja, aquela pessoa que não sabendo bem o que é acaba sendo coisa nenhuma?

Vou ser verdadeiro com vocês: não sei responder. Hoje, não. Amanhã, quem sabe. O que  posso dizer é o seguinte, lembrando um amigo meu: Viver faz mal à saúde.


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Quarta-Feira , 24 de Março de 2010 às 15:44h

Conto erótico turco


Enviado por Murilo Paraíso 

Todo dia, durante anos, quando Salim chegava em casa, sua doméstica Jacira servia o jantar e ia tomar banho.

 Até que um dia, Salim estava jantando e ficou ouvindo o barulho da água, enquanto Jacira tomava banho.

 Mastigava a comida e pensava na Jacira tomando banho...
Mastigava a comida e pensava na Jacira tomando banho...
Mastigava a comida e pensava na Jacira tomando banho...

 Até que se levantou da mesa e foi ao banheiro. Bateu na porta:

 - Jacira, você está tomando banho?

 - Estou sim, seu Salim.

 - Jacira, abre a porta pra Salim.

 - Mas seu Salim, estou nua!

 - Jacira, abre a porta pra Salim.

Jacira não resiste e acaba abrindo a porta. Salim entra no banheiro, vê Jacira nua e pergunta:

 - Jacira, quer foder Salim?

 - Mas seu Salim... eu não sei.

 - Jacira, quer foder Salim?

 - Sim, quero sim, seu Salim, pode vir que sou toda sua...

 Então Salim põe a mão no registro e diz:

 - Não vai foder Salim, não! Chega de gastar água!


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Terça-Feira , 23 de Março de 2010 às 10:47h

Os cuidados do caminhante


Por Marcone Seixas* 

Durante alguns anos venho orientando os caminhantes da Praia do Cabo Branco, quase em frente ao Hotel Xenius. Lá, pela manha e à tarde, de segunda a sábado, das 5:308:00 e das 17:00/19:30 h., vejo peso, altura, idadade, calculo o peso ideasl, faço o IMC (ìndice de massa corporal, vejo a Frequencia cardíaca, verifico a pressão arterial. E converso sobre a melhor forma de exercício para aquele determinado "atleta". Tudo isso também sob a chancela do Instituto Felipe Kumamoto, trocando sempre idéias com o Dr. Ítalo Kumamoto.

Mas o que me deixa impressionad é que a grande maioria dos "atletas" estão fora do peso. 60% estão com a pressão arterial alterada e quase 90% não passaram por uma avaliação médica, antes de começar os exercícios.
Verifico que, na maioria dos casos, o calçado não é adequado; a indumentária é imprópria e o tipo de exercício inadequado. Ex.: um indivíduo que não deveria nem caminhar rápido, às vezes quer correr.

 Eu, particularmente, prefiro sugerir à caminhada a corrida. Pois, a corrida força muito as articulações e sobrecarrega fortemente os sistema cardio vascular. Sugiro a corrida somente em alguns casos: quando a perssoa já vem fazendo corrida há bastante tempo, dependendo da idade, quando já vem correndo há muitos anos.

Para correr, se for o caso, a pessoa deveria saber, pelo menos, medir a sua frequencia cardíaca (número de batimentos do coração por minuto).

Estudiosos nos dizem que a frequencia cardíaca de segurança é calculada da seguinte maneira: 220 menos a idade; daí se calculam 85% desse resultado e se tem a F C de seurança. Por ex.: um indivíduo de 50 anos terá sua frequencia cardíaca de segurança calculada da seguinte forma: 220 - 50 = 180. Oitenta e cinco por cento de 180 é , aproximadamente, igual 145 batimentos do coração por minuto. Esta é a frequencia cardíaca de segurançapara não se ter incidentes desagradáveis durante o exercício.

Gostaria, também, de dar algumas sugestões para quem pratica exercícios:

* ao iniciar um programa de exercício, faça o seu exame médico;

*se possível, procure orientação de um profissional de Ed Física;

* ao iniciar o exercício faça um pequeno aquecimento;

* caminhe ou exercite-se, no mínimo 3 vezes por semana em dias alternados. Pois o efeito do exercício para fins de condicionamento físico, cessa com 72 h.;

** escolha sempre o começo da manha ou o final da tarde;

** use roupas leves, pois estas facilitam a troca de calor com o meio ambiente;

* nunca use plásticos ou similares, tentado aquecer mais o corpo;

* use calçado adequado:

* sentindo qualquer desconforto, diminua o rítmo;

** não parar bruscamente, durante o exercício mas diminuir o rítmo gradativamente. a não ser que voce seja atleta de alto nível;

* nunca queira acompanhar pessoas que tenhanm um melhor condicionamento q o seu;

* fazer alongamento após o exercício.

Seguindo estes passos, você estará mais seguro quanto ao seu exercício.

*Marconi Seixas
Prof. de condicionamento físico
c/ experiencia em reabilitação cardíaca.


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Segunda-Feira , 22 de Março de 2010 às 12:23h

Entre aspas


"Sempre me senti isolado nessas reuniões sociais: o excesso de gente impede de ver as pessoas..." ( Mário Quintana).



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Segunda-Feira , 22 de Março de 2010 às 11:05h

Descanse em paz?



O distinto aí já ouviu falar em velório virtual? Não? Mas sabe que existe o velório drive thru? Também não?
Pois então leia esta beleza de texto do filósofo e professor Mário Sérgio Cortella, da USP.

Por Mário Sérgio Cortella

Em uma de suas cartas, o romancista Gustave Flaubert escreveu: “Que grande necrópole é o coração humano! Para que irmos aos cemitérios? Basta abrirmos as nossas recordações; quantos túmulos!”

Uma visão quase amarga como essa coube muito bem no século retrasado e, até há pouco, ainda tinha alguma vitalidade; agora, nas nossas pós-modernas e alvoroçadas épocas, estamos perdendo parte da capacidade de abrir as recordações, mesmo as tumulares. Hoje, a velocidade inclemente do cotidiano não nos oferece tempo para recordações muito duradouras; se estamos com pouco tempo para cuidar da vida, menos ainda nos sobra para cuidar da morte.

Não temos tempo! Houve uma época na história humana (e não faz muito) na qual, quando um dos nossos morria, parávamos tudo o que estivéssemos fazendo; o trabalho, ou o que mais fosse, era interrompido, e, se preciso, faziam-se longas viagens, até noturnas (sem os rápidos aviões, carros e boas estradas atuais), mas, não deixávamos de, velando os partintes, cuidar dos ficantes.

 A humanidade houvera compreendido que, se com a morte não nos conformamos, ao menos nos confortamos, nos fortalecemos em conjunto, nos apoiamos. As pessoas ficavam, às vezes por um dia e uma noite, em volta da família, aglomerados, grudados, exalando solidariedade e emoção, orando e purgando lentamente o impacto, mostrando aos mais próximos que não estavam sozinhos na perda.

Ora, um dos mais fortes indícios da presença humana é o cuidado com os mortos; as mais antigas manifestações de formação social, quando as localizamos, o fazemos por intermédio de túmulos, inscrições, ossos agrupados ou corpos enterrados ou cremados. É sinal de humanidade não se conformar com a morte e, portanto, buscar vencer simbolicamente o que parece ser invencível. A própria palavra cemitério (derivada do grego), usada em vários idiomas, significa lugar para dormir, dormitório, lugar para descansar. Deixar esvair essa marca é extremamente perigoso, pois não propicia a especial ocasião de meditar sobre a vida e, eventualmente, descansar em paz.

 Deixamos de velar (no sentido de tomar conta, cuidar) para velar (como cobrir, ocultar, esquecer, apagar).

Não temos mais tempo! Se recebemos a notícia de que algum conhecido faleceu, olhamos o relógio e pensamos: “vou ver se dou uma passadinha lá...”; alguém morre às 10 horas da manhã e, se der, será enterrado até as cinco da tarde, de maneira a, em nome do “não sofrermos muito”, sermos mais práticos e rápidos. Nem as crianças (já um pouco crescidas) são levadas a velórios; muitos argumentam que é para poupá-las da dor. Isso não pode valer; parte delas cresce sem a noção mais próxima de perda e, despreparadas e insensibilizadas para enfrentar algumas situações nas quais a nossa humanidade desponta, simultaneamente, fraca e forte, perdem força vital.

 Por isso, não será estranho se, em breve, tivermos que nos acostumar também com o velório virtual ou, principalmente, como já está começando em países mais “avançados”, o velório “drive thru”: entra-se com o carro, coloca-se a mão sobre o corpo do falecido (enquanto um sensor lê tuas digitais para enviar um agradecimento formal), aperta-se um botão com a oração que se deseja fazer e... pronto, já vai tarde. Parece ridículo? Se não prestarmos atenção, assim será.

 Vale o alerta de Gilbert Cesbron: “E se fosse isso perder a vida: fazermos a nós próprios as perguntas essenciais um pouco tarde demais?”



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Domingo , 21 de Março de 2010 às 09:08h

O paradoxo de uma ex-feminista


Postado por Agnaldo Almeida

As feministas, se é que ainda as há, com certeza não vão gostar, mas vejam o que diz, em entrevista à Folha de S. Paulo de hoje, a psicóloga Susan Pinker, de uma universidade de Montreal, sobre o que faz ou não a felicidade das mulheres.

 Susan, que se considera ex-feminista militante, acaba de lançar o livro “O Paradoxo Sexual”, em que defende a tese de que salários de homens costumam ser maiores hoje não por discriminação no mercado, mas porque eles priorizam mais isso.

 O repórter da Folha pergunta: Seu livro fala sobre mulheres em empregos com bons salários, mas que as afastavam dos filhos, tornando-as infelizes. Por que elas quiseram anonimato? E ela responde:

- Acho que as mulheres que fazem essa escolha ainda estão envergonhadas de não estar agindo como homens. Mas não podemos esperar isso delas. Elas não são homens.

- A maioria das mulheres na Holanda não trabalha o dia inteiro, tendo filhos ou não. Essa jornalista trabalhava só quatro dias por semana. Ela dedicava as sextas para tocar piano, e achava que não seria feliz sem isso. Então não se trata apenas de cuidar dos filhos, mas também de ter uma vida mais equilibrada. Para as mulheres, a vida não é apenas trabalho, salário e promoções, ao contrário do que pensam muitos homens, que acham que tudo isso vale a pena quando compram um novo carro. Incomoda a muitos deles pensar que outras pessoas estão ganhando mais dinheiro, que moram em um lugar mais legal. São mais competitivos, gostam mais de assumir riscos.

 - O que acontece de bom quando as mulheres aceitam que existem diferenças biológicas naturais é que elas se sentem muito menos isoladas com seus sentimentos. Se ignoramos as diferenças, estamos forçando mulheres a assumir cargos e trabalhos nos quais boa parte delas não serão felizes, talvez como executivas ou engenheiras. Muitas mulheres me disseram: "Graças a Deus você fez esse livro. Eu achava inaceitável aquilo que eu sentia". A maioria das mulheres gosta de trabalhos como assistência social, pedagogia, profissões na área de saúde, mas salários nessas áreas costumam ser menores.

- Quando eu estava na universidade, no final dos anos 1970 e começo dos 1980, a expectativa era que homens e mulheres fossem idênticos, que nós deveríamos fazer as mesmas coisas, trabalhar a mesma quantidade de horas, no mesmo tipo de emprego, ter o mesmo tipo de vínculo emocional com o trabalho doméstico e com as outras pessoas. Eu acreditava muito nisso, li todos os livros das principais feministas. Foi só quando eu fui trabalhar e quando meus filhos nasceram que percebi que havia um buraco entre a minha abordagem intelectual do assunto e os meus sentimentos.


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Sexta-Feira , 19 de Março de 2010 às 18:45h

O parto da montanha


 O governador Serra tenta esconder dele mesmo a decisão que já tomou: vai ser, sim, candidato a presidente da República. O problema mais grave é se, depois de tanto esconde-esconde, a montanha parir um rato.

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Sexta-Feira , 19 de Março de 2010 às 18:32h

Dois mundos


Vivemos em dois mundos distintos: o mundo objetivo que inclui o trabalho, o mercado, o dinheiro, as relações; e o mundo subjetivo que são os nossos desejos e os nossos sentimentos.

 Não temos controle total sobre o mundo objetivo. As perdas, os fracassos, as quedas nem sempre dependem totalmente de nós. Vivemos numa sociedade competitiva, desigual, regida por leis que estão acima, às vezes, do nosso desejo e compreensão.

 Já os nossos pensamentos e sentimentos são nossos e podemos fazer muita coisa com eles. Achar que o mundo externo é responsável pelo nosso desânimo e frustração é abdicar do papel de sujeito da própria vida. E a consequência é simples.

 Ao invés de aprender a lidar com muitas emoções, podendo inclusive transformar a frustração e o desânimo em motivação e esperança, passamos a lamentar o mundo e a tentar controlá-lo.

Fonte: Os amigos de Freud


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