Sábado , 13 de Fevereiro de 2010 às 11:23h

Nosso carnaval de rua



Por Petrônio Souto

Pertinho do carnaval, eles saíam às ruas em comissão pedindo dinheiro aos moradores. Eram pessoas conhecidas, pobres, honestas e muito queridas no Roggers, bairro que mudou de nome porque o dono da única linha de ônibus não sabia escrever nome de gringo.

Sempre às manhãs de domingo, lá iam eles: Luís Monteiro, Agostinho Tomás, Henrique Nascimento, Mário Teixeira, Eulálio Martins, Severino Lima, Edílson Paiva, Severino Almeida, Pedro Coutinho (avô do vereador), entre outros cidadãos comuns, recolhendo contribuições para o carnaval.

 Recebidos com satisfação aonde chegavam, os organizadores do carnaval do Roggers formavam o alegre escalão precursor de Momo. A presença deles nas ruas era a certeza de que o bairro viveria momentos de muita alegria.

Se não me falha a memória, o carnaval do Roggers começou a esquentar nos anos 50, animado pela vitrola do rádio-técnico e festeiro nato Luís Monteiro, que morava perto do Onze Esporte Clube. A Família Monteiro, pioneira do rádio da Paraíba, é numerosa e cheia de figuras humanas extraordinárias, entre elas “Seu” Luís.

Toda família, apaixonada pelos segredos da eletrônica, possuía um altíssimo astral. Para ser mais fiel, a família de Luís Monteiro, que reunia sua mulher, dona Áurea, e os filhos Zezito, Marilú, Luizinho e Aurelina (anos depois barbaramente assassinada pelo ex-marido), era uma espécie de grupo de teatro, todos demonstravam ter certa veia artística. Tudo que dissesse respeito à música e alegria começava na casa de Luís Monteiro.

 Foi lá que ensaiei os primeiros passos do twist. Durante o carnaval, ele promovia a animação do bairro, colocando nas janelas caixas de som fabricadas por ele mesmo, grande novidade para a época, atraindo centenas de foliões. Daquela manifestação espontânea dos Monteiro, nasceu um dos carnavais mais animados de João Pessoa, o carnaval do Roggers.

Foram os próprios moradores que trataram de ampliar a movimentação que se concentrava entre a Gameleira (que desabou em maio de 2000) e a sede do Onze. Não se sabe ao certo se foi numa reunião na casa de Mário Teixeira, Henrique Nascimento ou Agostinho Tomás que surgiu a idéia genial de convidar os blocos, tribos indígenas e escolas de samba da cidade para desfilarem na passarela das ruas Joaquim Nabuco e Juiz Gama e Melo. Dizem que foi sugestão dele, Luís Monteiro, uma espécie de Joãosinho Trinta do Roggers, o maior boa praça que já conheci.

O fato é que o carnaval do bairro viveu seus tempos áureos enquanto era o próprio povo quem organizava e bancava tudo. Era um trabalho coletivo, ninguém pensava em autopromoção. No início, até o palanque na frente do Onze era o povo que montava. Nem o corso e o mela-mela do centro da cidade tiravam o folião do Roggers. O poder público, através do Departamento dos Serviços Elétricos da Capital, por solicitação da inesquecível Lourdes Vilarim, mulher excepcional, apenas instalava as gambiarras que davam um brilho todo especial às noites carnavalescas. A decoração também ficava com os moradores, liderados por um rapaz franzino, filho de “Seu” João Lourinho, o folclórico Jocemar Chaves.

Nos dias de desfile, domingo e terça-feira, sentadas em poltronas e cadeiras colocadas na calçada, ao longo das ruas Joaquim Nabuco e Juiz Gama e Melo, as famílias do bairro e seus convidados participavam da folia, sem o registro de nenhum caso de violência, como se a comunidade fosse um imenso clube social. Os que iam morar noutro lugar se reencontravam com os amigos no carnaval, matando saudades do bairro no arrastão dos Piratas de Jaguaribe, Bandeirantes da Torre, Esquadrilha V, União em Folia (bloco formado por funcionários do Jornal A União), 25 Bichos, Malandros do Morro, Última Hora, Noel Rosa, Africanos, Papo Amarelo, Guanabara e Pele Vermelha. Era tudo muito simples, autêntico, gostoso, diferente do que é hoje. A coisa era tão caprichada que tinha premiação na terça-feira gorda e até mestre de cerimônia, Evanildo Serrano (Nido), grande locutor de eventos, sucedido no posto pelo irrequieto Maurício Alves.

O carnaval de rua, festa ingênua e de pequenas comunidades, de repente foi transformado em megaespetáculo, negócio bastante rentável para alguns empresários. Acho que as maquinações do poder e a força do consumismo, que se apropriam como ninguém das manifestações genuinamente populares, arruinaram o carnaval de rua de João Pessoa.

O clima festivo do Roggers, que certamente era o mesmo do Varadouro, São Miguel, Cruz das Armas, Jaguaribe, Torre e Mandacaru, começou a desaparecer com a influência cada vez maior de políticos inescrupulosos e grupos interessados apenas em faturar alto com a festa do povo. A disputa pelo comando (esta é a palavra nada carnavalesca que se usa no ambiente de corrupção e autoritarismo que tomou conta do carnaval) acabava muitas vezes em violência.

O povo, na sua sabedoria, foi saindo de fininho, buscando outras formas de curtição. Poltronas e cadeiras foram retiradas das calçadas e colocadas para sempre diante da TV. De todo ânimo carnavalesco do bairro só restou a Catedráticos do Ritmo, do Tenente Brito e seus filhos José e Arnaldo.

É inevitável o lugar comum: Mudamos nós ou o carnaval? A resposta não pode ser outra: Mudamos nós e o carnaval. Sem saudosismo (só tenho saudades do futuro, daquilo que não vou viver), mudamos todos para pior.


(Extraído do livro “Cinqüenta carnavais”, organizado por Fernando Moura, Textoarte Editora, pág.124)



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Sexta-Feira , 12 de Fevereiro de 2010 às 11:21h

Decidam: Terra fria ou Terra quente?


Por Agnaldo Almeida

 Vocês têm lido o noticiário sobre o clima no mundo nesses últimos dias?
Pois bem, é neve na França, neve na Itália, neve na Dinamarca, neve na Alemanha, neve em Lisboa. Sem falar em Nova Iorque e várias outras grandes cidades norte-americanas.

Até na Ásia o gelo está tomando conta.

E cada vez mais a gente ouve dizer que o planeta está esquentando. Deve ser porque gelo, quando é demais, queima.

 Bem que dona Tonha, lá em Zé Pinheiro, me disse pra não acreditar nesses cientistas. “Meu filho – insistia ela, que era minha madrinha – eles podem saber alguma coisa. Mas quem sabe de tudo é Deus”.


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Quinta-Feira , 11 de Fevereiro de 2010 às 13:22h

Decisão do TCU vale ou não?


Por Agnaldo Almeida

Bom, vamos ver se dá pra entender: o Tribunal de Contas da União mandou que fossem suspensas algumas obras do governo federal porque há nelas fortes indícios de irregularidades.

O presidente Lula e seu governo não gostaram da decisão. Não gostaram e não respeitaram. Por orientação do Palácio do Planalto, a bancada do governo, orientada pelo presidente, resolveu passar por cima da recomendação e aprovou a continuidade das obras.

O que vai haver agora? Nada?

Bom, se for assim, por que prefeitos municipais e governadores estaduais são obrigados a cumprir o que determinam os tribunais de contas dos Estados?

As assembleias estaduais e as câmaras municipais também podem agir como o Congresso Nacional e transformar as decisões das cortes de contas em letra morta?


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Quinta-Feira , 11 de Fevereiro de 2010 às 13:12h

Vestibular: cota para nativos?


Por Agnaldo Almeida

A reitora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Márcia Mendes Silva, quer rever a participação da instituição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), depois que 55% das vagas da universidade foram ocupadas por estudantes de outros estados.

O Enem substitui os tradicionais vestibulares, mas não garante aos estudantes de cada estado acesso às universidades locais.

 O senador Jefferson Praia, que apoia a decisão da reitora, informou da tribuna que a totalidade das vagas para o curso de Medicina da universidade foi ocupada por estudantes de outros estados, enquanto na Odontologia o índice foi de 70%. Das 1.803 vagas da instituição, quase mil ficaram com estudantes de outros estados.

 Os estudantes amazonenses protestaram e conseguiram na Justiça a suspensão das matrículas dos aprovados.

 A invasão de estudantes “estrangeiros” não ocorre só no Amazonas nem através do Enem. Em João Pessoa, quando se realizam vestibulares, a cidade fica cheia de alunos de outros Estados. Isso já foi tema de muita discussão, mas não vejo como se possa impedir que estudantes de Minas Gerais, por exemplo, resolvam fazer vestibular no Piauí.

 Na verdade, o que a reitora e o senador estão querendo é criar mais um tipo de cota. Já existe a dos negros, dos índios, dos pobres e dos deficientes. Agora, pelo visto, estão sugerindo a cota dos nativos.


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Quarta-Feira , 10 de Fevereiro de 2010 às 11:52h

Sobre a biografia de JM


Publiquei ontem no portal PolíticaPB uma dura crítica ao enfoque que a biografia autorizada do governador José Maranhão dá à sua hipotética coerência. Não acho que ela exista nem que seja a sua principal característica como político.

Hoje, volto ao assunto no mesmo portal para uma explicação necessária. Vejam as duas colunas. Primeiro, a de ontem; na sequência, a de hoje:

Na lata do lixo

 Por Agnaldo Almeida

Apesar da bem escrita biografia autorizada do governador José Maranhão, onde o que mais se ressalta é a sua hipotética coerência, a verdade é que, com a sua volta ao Palácio da Redenção, o discurso político na Paraíba se apequenou de vez.

 É impressionante a sua capacidade de “ararunizar” a política paraibana. Nada contra Araruna, que é um município simpático, com uma população reconhecidamente hospitaleira. “Ararunizar” aqui tem a ver com o estilo maranhista de fazer política. Com o seu jeito especial de desqualificar o debate e puxar a discussão sempre para o nível mais baixo.

 A biografia autorizada vê nele um exemplo coerência. Pura balela! O que ressalta mesmo na personalidade do governador é a incomparável capacidade de perseguir adversários. Tenham sido eles amigos ou não em passado recente.

Ney Suassuna, por exemplo, que em 2006 foi descartado como papel higiênico, uma espécie de leproso por conta de seu envolvimento no caso dos Sanguessugas, sabe bem o poder que Maranhão tem quando se dispõe a perseguir alguém.

 Agora mesmo, o prefeito Ricardo Coutinho, cujo crime inafiançável é o de querer disputar democraticamente o governo do Estado, está sofrendo na pele a baixeza dos ataques maranhistas.

 Com Ney, em passado não muito remoto, Ricardo já foi apontado por Maranhão como um grande político. O ex-senador era, na versão do Maranhão amigo, um grande carreador de recursos para a Paraíba. Um trator a serviço do Estado. Depois, virou um proscrito.

 Ricardo Coutinho, não faz muito tempo, era o suprassumo da competência, da capacidade administrativa e o mais brilhante representante da nova geração de políticos do Estado. Agora, pelo “crime” de querer disputar o governo estadual, é um autoritário, um administrador sem espírito público e, na sua expressão utilizada hoje, um amuado.

 Maranhão só é coerente na sua capacidade de destratar os adversários. Mas não foi isto o que a sua biografia autorizada quis dizer. Aliás, por falar nesta biografia, ela está tendo o mesmo destino do filme que endeusa Lula: a lata do lixo.

******

EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA

 Por Agnaldo Almeida

 Na coluna “Na Lata do Lixo”, em que teço críticas ao comportamento político do governador José Maranhão, acabei cometendo uma grande injustiça: os autores da biografia comentada não foram devidamente excluídos daquele arrazoado.

 Sou discípulo, amigo e admirador de Gonzaga Rodrigues, um dos autores da obra. Tenho o maior respeito pela Dra. Ângela Bezerra de Castro, uma intelectual de altíssimo nível. Os dois, portanto, não foram alvos de minhas palavras. Se tivesse de falar sobre Gonzaga, como já o fiz diversas vezes, só poderia dirigir-lhe manifestações de carinho e agradecimento. Sei o que ele, profissionalmente, me proporcionou em ensinamentos e oportunidades.

 Algumas pessoas trataram de me intrigar junto ao maior jornalista que a Paraíba tem nos dias de hoje. Um dos maiores da história da nossa imprensa em todos os tempos.

 Dou esta explicação para deixar claro às aves de rapina que amo Gonzaga. Como amo a sua família.

 Do que não gosto mesmo, porque não corresponde à realidade, é da biografia de Maranhão. Embora reconheça que, sendo autorizada, não poderia ser diferente.




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Terça-Feira , 09 de Fevereiro de 2010 às 17:08h

Cinquenta carnavais



Enviado por Petrônio Souto

A escassa bibliografia carnavalesca da cidade de João Pessoa ganha, a partir desta quarta-feira, dia 10, um substancioso reforço com o lançamento do livro “Cinquenta Carnavais”, editado pela Textoarte e organizado pelo jornalista Fernando Moura, reunindo mais de 50 depoimentos de personalidades e foliões da cidade, num caleidoscópio de impressões e fatos envolvendo a folia local, em diversas épocas.

 A obra é também uma homenagem pela passagem dos 50 anos de vida de Fernando Moura, que serão comemorados no dia do desfile do bloco Muriçocas de Miramar. O lançamento do livro coincide com a entrega ao aniversariante nascido em São Paulo, do título de Cidadão Pessoense, propositura aprovada ainda na legislatura do ex-vereador e carnavalesco de Fuba. Ambas as solenidades, inusitadamente, ocorrerão em meio ao bloco, a partir das 17h, na Pracinha do Rotary, entre a Praça das Muriçocas e a Igreja Nossa Senhora de Fátima.

 Preparado em menos de 30 dias, o livro, com 168 páginas, reúne nomes como os de Adeildo Vieira, Adylla Rabello, Alarico Correia Neto, Antonio Gualberto, Bob Zaccara, Breno Matos, Buda Lira, Cabral Batista, Cardivando de Oliveira, Carlos Anísio, Cristovam Tadeu, Didier Guigue, Ednamay Cirilo, Flávio Tavares, Fuba, Gonzaga Rodrigues, Henrique Magalhães, Jadir Camargo, José Altino, José Nilton, Kennedy Costa, Lucélio Cartaxo, Luzardo Alves, Marcela Sitônio, Maria Ignez Ayala, Nara Limeira, Pedro Osmar, Petrônio Souto, Ruth Avelino, Rossana Honorato, Terezinha Fialho, Vitória Lima, Walter Santos, Wills Leal, William Costa e mais alguma dezenas de atentos observadores do Reinado de Momo pessoense.

 De acordo com Fernando Moura esse livro é uma espécie de presente de aniversário de alguns amigos, que decidiram se juntar e viabilizar financeiramente a obra, que conta com o apoio das agências de publicidade Antares, 9Ideia, Faz e Real, além da gráfica Moura Ramos. “Foram eles que permitiram a reunião desse amplo universo de foliões, colaborando para o entendimento e memória dos nossos carnavais.” Afirma o jornalista.

 Durante a festa de lançamento, o livro será vendido com desconto de 50%, e quem adquirir a obra terá direito a um chopp da Norden (Cervejaria Artesanal), uma dose de cachaça Volúpia e um saquinho de confetes. Posteriormente, o livro será vendido no Sebo Cultural e nas bancas Vina del Mar, com desconto de 50% para estudantes (com carteirinha) e autores da obra.

TEXTO DE APRESENTAÇÃO:

“Este livro não estava escrito para existir. Foi em coisa de um mês. Fruto de uma tênue intenção do folião que completaria 50 anos no dia do desfile das Muriçocas de Miramar, em 10 de fevereiro de 2010, o sonho incendiou alguns corações apaixonados por desafios. E por Carnaval. Botaram o bloco na rua, vestiram a fantasia da operacionalidade e desfilaram nos vapores das memórias adormecidas. Deram um baile.

 O que o leitor irá encontrar pelas páginas seguintes não será um roteiro histórico e cronológico do Carnaval de João Pessoa, mas um caleidoscópio de lembranças e impressões vivenciadas por mais de cinquenta cidadãos-foliões desta Cidade das Acácias, numa anárquica e saborosa viagem por tempos dispersos. Uma folia de “sujos”, limpando a poeira das horas, na busca por palavras impressas que desnudassem faces encobertas por saudades, inibições ou pudores.

 Uma farra de emoções. Pelo tempo exíguo, pelo tema exposto e perspectiva da realização de algo mais duradouro que uma efêmera festa de aniversário, ainda que de meio século. O que vai por aqui, foi muito além do delírio do escritor bissexto. Foi um presente de camaradas de cordões e condões. Inesquecível e duradouro. Afago em forma de confete.

 Grato a todos e todas. O bloco está saindo. Bom desfile. Tim-tim!”


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Segunda-Feira , 08 de Fevereiro de 2010 às 17:35h

Quem for pai que se prepare!


Enviado por Marcos Pires

Vida de pai está cada vez mais difícil. Uma simples conversa com o filho pequeno pode gerar perplexidade. O diálogo de João Pedro com seu filho Wilkson, de 10 anos, pode servir como prova desse fosso entre as gerações.

- Que você vai ser quando crescer, filho?
- Presidente da República, pai.
- Puxa, filho, que legal. Mas por quê?
- Pra não precisar estudar.
- Não, filho, não é bem assim. Precisa estudar muito.
- Então quero ser vice-presidente.
- Vice, filho? Por quê?
- Pra não precisar estudar. O José de Alencar também só foi até a quinta série primária. Já posso parar.
- Não é assim, filho. Ele trabalhou muito e aprendeu.
- Pai, todo mundo que se dá bem não estudou: o presidente, o vice, a Xuxa, o Kaká, o Zeca Pagodinho...
- É que eles têm um talento...
- Ah, entendi, estudar é para quem não tem talento?
- Não, filho, pelo amor de Deus. Artista é diferente.
- O presidente e o vice não são artistas.
- Não, quer dizer, o presidente, de certo modo, até é.
- Se eu estudar, vou ganhar mais do que o Kaká?
- Menos.
- Ah, é? Então quero ir já para a escolinha.
- Você já está numa boa escola, filho.
- Quero ir pra escolinha de futebol.
- Não, filho, você precisa estudar muito. A escola abre caminhos para as pessoas. Pode-se viver dignamente.
- Acho que vou querer ser corrupto.
- Meu Deus, filho, não diga isso nem de brincadeira.
- Na TV disseram que ninguém se dá mal por causa da corrupção e que tudo sempre termina em pizza. Adoro pizza. Quando for corrupto, pedirei só de quatro queijos.
- Ser corrupto é muito feio, meu filho.
- Ué, pai, se é feio assim, por que Brasília está cheia deles e quase todos conseguem ser reeleitos?
- É complicado de explicar, Wilk. Mas isso vai mudar.
- Quero ser corrupto e praticar nepotismo.
- Cale a boca, filho, de onde tira essas barbaridades?
- É só olhar televisão, pai. O Sarney pratica nepotismo e é presidente do Senado. Ninguém pode mexer com ele.
- Mas você sabe o que é nepotismo, filho?
- Sei. É empregar os parentes da gente.
- E você quer fazer isso?
- Claro. Assim ia acabar com os vagabundos da família.
- Filho, você precisa ter bons valores. Pense numa profissão, numa coisa honesta e que seja respeitada. Não quer ser médico, dentista ou, sei lá, engenheiro?
- Não. De jeito nenhum. To fora, pai!
- Mas por que, filho?
- Eles nunca vão no Faustão.
- Isso não tem importância, filho. Que tal bombeiro?
- Vou querer ser astronauta ou jornalista.
- Hummm... Jornalista? Por que mesmo, filho?
- Não precisa mais ter diploma pra ser jornalista.
- Ah, não, outra vez. Que tal ser empresário?
- Empresário? Maneiro, pai. To nessa. Vou vender jogador de futebol. Se ganha muito e não precisa estudar. Legal!


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Segunda-Feira , 08 de Fevereiro de 2010 às 17:22h

O mundo em 140 caracteres


Enviado por Marcondes Brito:

O blogueiro Geneton Moares Neto, do G-1, fez uma experiência no Planeta Twitter.
Que tal tentar comentários ( inúteis, é óbvio) sobre o estado geral das coisas, em cerca de 140 caracteres ?

Voilà :

1 - Carnaval! Adoraria ver um puxador de samba berrar uma música por duas horas seguidas, desde que eu estivesse, claro, sob anestesia geral.

2 - Intuição: nunca, never, jamais confie em gente capaz de usar a palavra “molecada”, urrar “uh ru!” e dizer “oi, galera”. São torturadores disfarçados.

3 - Carnaval! Adoraria ver Ivete Sangalo e Cláudia Leite saltitando- desde que eu estivesse, claro, sedado e respirando com ajuda de aparelhos.

4 - Curso de detetive: jamais confie em quem começa uma frase com “veja bem”. São assaltantes de creches.

5 - É claro que eu iria ver peruas siliconadas se exibindo no Sambódromo, desde que eu estivesse inconsciente e preso a uma camisa-de-força.

6 - Curso de detetive: nunca, never, jamais confie em quem fala em “beijo no coração”. São esquartejadores de coelhinhos recém-nascidos.

7 - O que é melhor? A) ver um ônibus de turistas brasileiros cantando “ô-lê-lê-ô-lá-lá-pega-no ganzê-pega-no ganzá” em Paris; B) morrer. Resposta: B!

8 - Eu leria do começo ao fim uma entrevista de Cláudia Leite falando de amamentação, desde que, claro, alguém me pagasse 1 milhão de euros cash.

9 - Nunca, jamais, sob hipótese alguma, confie em casais em que um chama o outro de “momô” e coisas parecidas. São passadores de cheques sem fundo.

10 - Sério: eu iria sem reclamar a um show de Ivete Sangalo num estádio, desde que eu estivesse, claro, sob a mira de 38 soldados da Divisão Panzer.

11 - Confirmado: nunca, jamais, sob hipótese alguma, confie em quem usa,usou ou pensa em usar bandana ou rabo-de-cavalo. São assassinos de velhinhas.

12 - Sério: é óbvio que eu iria ver uma peça em que atores interagem com a plateia- desde que eu recebesse, como recompensa, uma mansão quitada em NY.

13 - Pesquisa: se você fosse obrigado a passar o resto da vida numa ilha ouvindo a Banda Calyso, você tomaria o veneno com ou sem açúcar ?

14 - Curso de detetive: nunca, never, jamais confie em quem estira o dedo mindinho quando segura um copo. São falsificadores de vacina antipólio.

15 - Eu iria ao teatro ver uma dessas cópias de musicais americanos,desde que, claro, recebesse em troca uma pensão vitalícia de 78 mil e 500 reais.

16 - Carnaval! Adoraria ver as exibições de “samba no pé” na TV – desde que eu estivesse, claro, em estado de coma induzido.

17 - Pequena dúvida noturna : por que é que a Interpol ainda não inaugurou um presídio exclusivo para atores que fazem “número de plateia” ?

18 - Palpite: nunca, jamais, sob hipótese alguma, confie em quem palita os dentes em público com a mão espalmada para esconder a boca. São psicopatas.

19 - Começo a acreditar em Deus quando chego ao aeroporto,viro crente fervoroso quando estou no avião,volto a ser ateu quando piso em terra firme

20 - Puro feeling: nunca, never, jamais confie em quem cheira vinho, balança a taça e faz um bochecho. São serial killers em potencial.

21 - Se todos os jornalistas que ser acham gênios relinchassem três vezes antes de dormir, a cidade inteira acordaria com o barulho.

22 - Um belo teste de emprego: o candidato que conseguisse rir de uma dessas ceninhas idiotas dos anúncios de cerveja voltaria para o fim da fila.

23 - Cálculos: quando tinha 17 anos, eu não confiava em ninguém com mais de 30. Hoje, não confio em ninguém com menos de 50. Nem com mais.

24 - Dica: toda vez que um camelô se aproximar, pegue o celular e fique repetindo “klaatu barada nikto”. Já testei. Funciona. O camelô desiste.

25 - Quem foi o idiota que achou que a Humanidade poderia se comunicar com um máximo de 140 caracteres ? O pior é que pode. Então, viva ele!


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Domingo , 07 de Fevereiro de 2010 às 20:33h

A Igreja é anacrônica?


Por Agnaldo Almeida

 O jesuíta egípcio mais destacado nos âmbitos eclesial e intelectual, Henri Boulad, lança um SOS à Igreja Católica numa carta dirigida a Bento XVI, à qual deu publicidade na sexta-feira passada. A missiva foi transmitida através da Nunciatura no Cairo. O texto circula nos meios eclesiais de todo o mundo.

 O blog selecionou alguns trechos. São importantes, seja o leitor católico ou não. Confiram:

 1. A prática religiosa diminui constantemente. As igrejas são frequentadas por pessoas cada vez mais idosas que vão desaparecer num prazo bastante curto.

 2. Os seminários e os noviciados esvaziam-se de dia para dia e as vocações desaparecem a um ritmo assustador. O futuro apresenta-se sombrio e não vemos quem virá atrás de nós para melhorar a situação.

 3. Muitos padres deixam o exercício sacerdotal e o pequeno número dos que vão ficando, cuja idade frequentemente ultrapassa a da reforma, são obrigados a assumir o encargo de várias paróquias, fazendo-o de uma maneira apressada e administrativa.

 4. A linguagem da Igreja é anacrônica, aborrecedora, repetitiva, moralizadora e completamente inadaptada à nossa época. Não pretendo afirmar que se deve dizer sim a tudo nem adotar uma atitude demagoga, pois a mensagem do Evangelho deve apresentar-se com toda a sua exigência e significado. O importante é começar a "nova evangelização" de que falava João Paulo II. E, ao contrário do que muitos pensam, ela não consiste na repetição de tudo o que é antigo e que não interessa a quase ninguém, mas na invenção duma nova maneira de proclamar a fé aos homens do nosso tempo.

 5. Para consegui-lo, é urgente uma renovação profunda da teologia e da catequese que devem ser completamente repensadas e reformuladas. Infelizmente, temos de constatar que a nossa fé é demasiado cerebral, abstrata, dogmática e que fala bem pouco ao coração e ao corpo.

 6. A consequência é que uma grande parte dos cristãos foi bater à porta das religiões asiáticas, das seitas, da "new age", do espiritismo, das igrejas evangélicas ou de outras parecidas. Ficamos admirados? Eles buscam noutro lugar o alimento que não encontram entre nós, pois têm a impressão que em vez de pão lhes oferecemos pedras.

 7. No que diz respeito à moral e à ética, as imposições do magistério sobre o casamento, a contracepção, o aborto, a eutanásia, a homossexualidade, o casamento dos padres, os divorciados casados de novo, etc., já não interessam a quase ninguém e provocam nas pessoas cansaço e indiferença.

 8. A Igreja católica que, durante séculos, foi a grande educadora na Europa, esquece que esta Europa se tornou adulta e intelectualmente madura, recusando ser tratada como uma criança que ainda não atingiu a idade do uso da razão. As maneiras paternalistas duma Igreja "Mater et Magistra" passaram de moda e são rejeitadas pela nossa época.

 9. As nações que outrora foram as mais católicas - França, "primogênita da Igreja" ou o Canadá francês ultracatólico deram uma reviravolta de 180 graus, caindo no ateísmo, no anticlericalismo, no agnosticismo, na indiferença. No caso de outras nações europeias, o processo está em marcha. Pode-se constatar que quanto mais dominado e protegido pela Igreja esteve um povo no passado, mais forte é a reação contra ela.

 10. O diálogo com as outras igrejas e religiões tem recuado. O progresso constatado durante meio século está atualmente muito comprometido.

 ***
O padre Henri Boulad também encaminhou sugestões ao Vaticano:

 O que é que se pode então fazer? – pergunta ele. E ele mesmo responde: A Igreja precisa de três reformas urgentes:

• Uma reforma da sua teologia e da sua catequese, repensando completamente a fé e reformulando-a de uma maneira coerente e compreensível para a sociedade contemporânea.

 • Uma reforma da sua pastoral, abandonando as estruturas herdadas do passado.

• Uma reforma da sua espiritualidade, inventando outra mística e concebendo os sacramentos de outra maneira, para encarná-los na existência atual e adaptar à vida do homem de hoje. A Igreja é formalista demais. Temos a impressão de que a instituição abafa o seu carisma e de que, para ela, o importante é, ao fim de contas, a estabilidade exterior, superficial, aparente. Corremos mesmo o risco de que Jesus, um dia, nos trate "de sepulcros caiados".



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Domingo , 07 de Fevereiro de 2010 às 18:25h

Maldição dos roqueiros



Por Petrônio Souto

Outro dia, caí na besteira de reclamar do barulho dos roqueiros do Largo de São Pedro Gonçalves, no Varadouro. Maldição dos roqueiros ou não, o fato é que, de sábado (6) para domingo (7), eu e a torcida do Flamengo tivemos que aturar uma festa “rave”, aqui na praia do Cabo Branco.

O bate-estaca infernal virou a noite. O som era de trovão que não dava um segundo de trégua. Só foi parar lá pelas 8h de domingo (7). Segundo caminhantes madrugadores da orla, a zorra tinha endereço chique: o restaurante Bargaço, que, se verdadeira a informação, está querendo ser casa de festas, para desespero dos moradores do único bairro ainda tranqüilo da Capital.

Olha, meu amigo, reclamar de barulho aqui em João Pessoa está se tornando um ato em tudo parecido com a tarefa de enxugar gelo. A parceria (palavrinha chata!) com os plantonistas da Secretaria do Meio Ambiente da Prefeitura (fone: 3218-9208) ou da Sudema, verdadeiros heróis da resistência, se esgota no alívio meramente terapêutico. Você encontra o consolo de um ombro amigo para chorar suas dores, muitas vezes noite alta, de madrugada. E só.

Limitados pela crônica falta de meios, os coitados dos plantonistas da Semam ou Sudema atendem bem, anotam tudo, mas dependem de uma fiscalização pouco ágil, para não dizer sonolenta, diante de uma demanda que cresce com a velocidade da luz, de Tambaú ao Rio Sanhauá.

Como diz o amigo Rubens Nóbrega, “é absolutamente vergonhoso o modo negligente e insuficiente com que o poder público trata a poluição sonora na Paraíba, particularmente em Joõa Pessoa. Se o prejudicado liga para a Polícia, a Polícia diz que não é com ela e passa a bola para a Semam ou Sudema, onde alguém vai alegar que falta gente, viatura ou equipamento para atender a ocorrência”.

E nisso os trogloditas do barulho deitam e rolam, diante de uma sociedade cada vez mais acuada, violentada em seus direitos mais elementares. Nem descansar, dormir uma noite apenas, se pode mais. Tá difícil. Até na ponta do Cabo Branco, onde se paga os olhos da cara por um lugarzinho qualquer, a praga do barulho, ao que parece, veio para ficar. É o armagedom.


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Domingo , 07 de Fevereiro de 2010 às 15:36h

Homenagem ao Poeta


ABDICAÇÃO

                                                       Fernando Pessoa, 1913

Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho... eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.

 Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços

 Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.

Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia. 

***
Carta de Fernando Pessoa ao amigo Mário Beirão, em Fevereiro de 1913, explicando como fêz o poema:

"Estou actualmente atravessando uma daquelas crises a que, quando se dão na agricultura, se costuma chamar "crise de abundância".

 Tenho a alma num estado de rapidez ideativa tão intenso que preciso fazer da minha atenção um caderno de apontamentos, e, ainda assim, tantas são as folhas que tenho a encher que algumas se perdem, por elas serem tantas, e outras se não podem ler depois, por com mais que muita pressa escritas.

As ideias que perco causam-me uma tortura imensa, sobrevivem-se nessa tortura escuramente outras. V. dificilmente imaginará que a Rua do Arsenal, em matéria de movimento, tem sido a minha pobre cabeça. Versos ingleses, portugueses, raciocínios, temas, projectos, fragmentos de coisas que não sei o que são, cartas que não sei como começam ou acabam, relâmpagos de críticas, murmúrios de metafísicas... toda uma literatura, meu caro Mário, que vai da bruma - para a bruma - pela bruma...

Destaco de coisas psíquicas de que tenho sido o lugar o seguinte fenômeno que julgo curioso. V. sabe, creio, que de várias fobias que tive guardo unicamente a assaz infantil mas terrivelmente torturadora fobia das trovoadas. O outro dia o céu ameaçava chuva e eu ia a caminho de casa e por tarde não havia carros. Afinal não houve trovoada, mas esteve iminente e começou a chover - aqueles pingos graves, quentes e espaçados - ia eu ainda a meio caminho entre a Baixa e minha casa.

 Atirei-me para casa com o andar mais próximo do correr que pude achar, com a tortura mental que V. calcula, perturbadíssimo, confrangido eu todo. E neste estado de espírito encontro-me a compor um soneto acabei-o uns passos antes de chegar ao portão de minha casa -, a compor um soneto de uma tristeza suave, calma, que parece escrito por um crepúsculo de céu limpo.

 E o soneto é não só calmo, mas também mais ligado e conexo que algumas coisas que eu tenho escrito. O fenômeno curioso do desdobramento é a coisa que habitualmente tenho, mas nunca o tinha sentido neste grau de intensidade... "


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Domingo , 07 de Fevereiro de 2010 às 10:54h

Os mistérios de Gil


Gil: com a sua arte, um passo à frente

             Quando esteve em João Pessoa, na semana passada, o compositor Gilberto Gil concedeu uma longa e bem conduzida entrevista ao jornalista Sílvio Osias, que acabou sendo publicada no Correio das Artes.

         Leia aqui alguns trechos que ajudam a entender a trajetória artística do músico baiano:

1 – Sobre o passo à frente dado pelo Tropicalismo em relação à esquerda pós-bossa nova:

Gil: Tudo queria ser passo à frente já e então (tudo quer sempre ser passo à frente na lavra do músico-poeta em que eu me tornei): o meu passo à frente e o da humanidade toda. Acho que é assim que se move o artista, o inventor, o filósofo, o político ou o guerreiro. Jogar o mundo pra frente é o sentido oficial da criação.

2 – Sobre o aprendizado durante o exílio em Londres:

         Gil: A experiência londrina (nada) foi senão uma oportunidade para obter novos instrumentos, atualizar velhas técnicas, dominar novas formas de pensar, de sentir, de processar, de criar... Lá me interessei por yoga, pela macrobiótica, pela psicodelia, pela música progressiva, pela ética/estética da ruptura. Claro que eu já havia me iniciado em tudo isso antes do exílio, mas, em Londres, eu pude, por assim dizer, instalar o meu laboratório e aprofundar as minhas experiências.

3 – Sobre a produção de canções de gosto mais popular:

         Gil: O formato popular é o sonho de todo artista: poder fazer do anseio da revelação da verdade mais íntima que ele busca em cada verso, em cada melodia, em cada imagem, um meio de se comunicar com os outros; poder ter revelado, no reconhecimento do outro, o segredo último do seu próprio mistério, esse é o sonho de todo artista.

4 – Sobre a música “Se eu quiser falar com Deus”, que Roberto Carlos não aceitou gravar:

         Gil: Roberto Carlos é um homem de fé. Se eu Quiser Falar com Deus é uma canção agnóstica. Eu não tinha certeza até que ponto ele estaria aberto, disposto a uma certa atitude mais experimental nessa questão. Quem sabe ele tivesse interesse e vontade de falar de Deus de um ponto de vista mais in-pessoal, mais de dentro dele mesmo, mais do seu próprio tato, do seu próprio meio de contato. Enfim, eu não sabia até que ponto ele estaria, como eu estava, disposto a abrir mão de uma “leitura” em prol de uma “feitura” de Deus. Mandei a música assim mesmo, na esperança de encontrar nele um parceiro para a minha viagem nesse espaço do vácuo teológico. Mas Roberto é um homem  de fé e assim permaneceu. Eu compreendi e respeitei.

5 – Sobre a morte e o que dela se pensa em vida:

         Gil: Se nos recusamos a pensar na morte, recusamos uma fonte imprescindível de conhecimento sobre a vida. A morte é o fim da vida. Ou o seu reinício, sua continuidade, em outros termos. A morte pode ser tanta coisa! E morrer é um ato humano, tanto no sentido de termos que viver nossos últimos instantes, quanto no sentido de que viver estes últimos instantes será, de alguma forma, mais intensa para uns e menos para outros, uma resultado do que terá sido viver. Pensar na morte pode nos ajudar, se não a escolher, pelo menos a almejar o fim, planejar o fim, produzir o fim da forma mais coerente com o nosso desejo

**********

O resto desta belíssima conversa entre Gilberto Gil e Sílvio Osias está edição de janeiro do Correio das Artes.


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Sexta-Feira , 05 de Fevereiro de 2010 às 18:20h

Lula: estão roubando minhas obras


 
Em visita a São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, na tarde desta sexta-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a cobrar uma transparência maior na publicidade dos governos estaduais.

 Ele deu a entender que há governadores que apresentam obras como suas, sem o devido reconhecimento ao governo federal. "Se o governo federal coloca R$ 10, o povo também tem que saber", disse o presidente, ao lado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Durante o discurso para cerca de três mil pessoas que acompanharam a inauguração da estação de tratamento de esgoto Feitoria, Lula lembrou que a ministra, que é pré-candidata do PT à Presidência da República, se afastará do governo em abril porque terá "outras tarefas para fazer".

Comentário meu: Na Paraíba, isto não é nenhuma novidade.


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Quinta-Feira , 04 de Fevereiro de 2010 às 13:13h

Guerra aos gazeteiros


Por Agnaldo Almeida

O presidente da Assembleia Legislativa, Arthur Cunha Lima promulgou projeto de lei que obriga as escolas da rede estadual de ensino a comunicar, por escrito, os nomes dos alunos que faltarem a 20 por cento das aulas ministradas durante o ano.

 A comunicação será feita aos juizados da infância, aos conselhos tutelares e também aos pais dos estudantes.

 A ideia de se criar uma lei para combater os “gazeteiros”, foi do deputado Quinto de Santa Rita e tem como objetivo principal combater a chamada evasão escolar. Segundo a Secretaria de Educação, o nível desta evasão está em 16%.

Publicada anteontem no Diário Oficial do Poder Legislativo, a guerra aos gazeteiros passa a ser lei.


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Quarta-Feira , 03 de Fevereiro de 2010 às 10:52h

O ócio necessário



Por Aristheu Formiga*

 Após um mês em férias na Parahyba, retomo algumas atividades profissionais em Blumenau, ainda com alguns resquícios do ócio atribuído de forma generalizada aos nordestinos, quase que exclusivamente aos que moram (ou vivem) por lá.

 O espanto inicial foi com o intenso movimento nos aeroportos, nos hotéis e pousadas lotados, com festas ao gosto do populacho, envolvendo grandes artistas nacionais. Até a virada do ano teve duas festas distintas, uma promovida pela prefeitura da capital e outra pelo governo do Estado, pois os dois titulares do executivo são, cada um pelo seu partido, candidatos à cadeira e à caneta de governador. No clima assentado de polarização, o que não faltam são os boatos de adesão, traição e formação de alianças variadas, dentro dos partidos ou não.

 O outro lado

Como não voto mais por lá, me detive a caminhar, tomar água de coco a um real, frequentar a barraca Pé na Areia, sucedânea da Barraca do Pau Mole, vítima demolida da polarização política já citada.

 Lá, entre profissionais liberais, políticos com mandato ou não, vagabundos variados e jornalistas, pude ouvir e aprender sobre a visão dos que não tem mais cargos nos governos, perderam a chupeta pública, como dizem alguns amigos em Blumenau. Então, quem não tem coluna em jornal, blog ou portal na rede, usa e abusa do expediente de asseverar qualidades de aliados e ressaltar supostas debilidades de caráter dos adversários.

 Em meados de janeiro, fui ao lançamento de um portal exclusivo sobre política da Paraíba, onde o editor jurou independência e neutralidade na descrição dos fatos políticos, afirmando em seguida que no portal haveria espaço para anunciantes, de uma ou outra coloração política.

 Aliás, quem usa vermelho é tido como eleitor do governador José Maranhão (PMDB), enquanto quem usa amarelo é tido como partidário do prefeito da capital Ricardo Coutinho (PSB), que agora é aliado do ex governador Cássio Cunha Lima (PSDB).

 As cores do riso

 Me contaram que o capitão Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, tinha um grande desgosto: nunca tinha visto um homem corado – toda vez que se apresentava, o interlocutor ficava pálido ou amarelava. Sabedor que sou da valentia de alguns na Parahyba e entre uma água ou outra, fui fazer a barba. Fiquei espantado com o barbeiro, que passou creme Bozzano no pincel e cuspiu nele, passando na minha cara.

 Reclamei, claro, mas um amigo interveio e me disse: você tem sorte porque ele não te conhece, pois com a gente ele cospe é na cara mesmo.

 Ao final o barbeiro perguntou: “arco, tarco ou quer que mui?” (Traduzindo: Álcool, talco, ou quer que molhe?). Por isso, entre outras razões, deixei de fazer parcialmente a barba.

 • Aristheu Formiga é paraibano, jornalista e professor universitário, além de líder sindical. Sempre que pode, dá uma passadinha aqui em João Pessoa, onde vem zerar o “QI”.


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